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ALVOS: No Brasil e nos EUA, negros correm mais risco de serem mortos pela polícia

Os dois países compartilham números desproporcionais de assassinatos de negros pela polícia

CORREIO BRAZILIENSE

14 de Junho de 2020 às 10:57

Atualizada em : 15 de Junho de 2020 às 09:04

Foto: Divulgação

A violência contra negros em proporção maior do que de brancos fez o País ser denunciado à Corte Interamericana de Direitos Humanos pela ONG Educafro em 2019, que considera que a política brasileira de combate à violência tem causado um "verdadeiro genocídio" da população negra. A denúncia pede que parte do PIB seja investido em inteligência policial.
 
 
 
"Nossa polícia no Brasil é muito mais violenta. Mas também existe um nível de violência racial que constitui o Brasil em outras esferas que naturalizou e incorporou no cotidiano a morte de pessoas negras. No Brasil, quando se mostra a morte de um negro, a luta é para provar que aquela pessoa não era um bandido, como se o fato de a pessoa ter cometido algum crime justificasse também a violência policial", afirma Silvio Almeida, autor do livro Racismo Estrutural e professor convidado da Universidade Duke, na Carolina do Norte (EUA). Segundo ele, a "ocultação" do racismo no Brasil evita que a discussão seja feita em esfera pública.
 
 
 
"O Brasil não teve o imenso sistema de leis codificadas que surgiu após o colapso da escravidão, como vimos nos EUA com Jim Crow", afirma Ellis Monk, do Departamento de Sociologia de Harvard, que pesquisa os paralelos entre racismo nos dois países.
 
 
Sob o nome de Jim Crow, as leis de segregação racial americana tiveram vigência nos Estados do sul dos EUA até a década de 60. Brancos e negros não usavam os mesmos bebedouros públicos, banheiros, balcões de lanchonete, cabines de trem, escolas e ônibus. Os locais reservados aos negros eram precários. 
 
 
 
"Existem muitas maneiras diferentes de manter hierarquias raciais e de cores. Você não precisa necessariamente de um sistema Jim Crow para atingir esse mesmo tipo de objetivo", diz Monk, que avalia ser mais fácil enfrentar um problema que tem nome. "No Brasil é mais difícil nomear os alvos que mantêm hierarquias raciais quando não são tão óbvios como eram nos EUA ".
 
 
 
Os dois países têm em comum o passado de escravidão e exploração de mão de obra africana para formar sociedade e economia, institucionalizando uma discriminação racial persistente em diversos segmentos, como a habitação. 
 
 
 
Nos EUA, uma casa em bairro negro vale US$ 48 mil a menos do que uma propriedade de características e localização semelhantes em um bairro branco. A diferença é chamada por pesquisadores de custo racial. "Em um ano, eu fui parado sete vezes pela polícia. Não cinco, nem seis. Sete." 
 
 
 
A história poderia ser a de um jovem negro brasileiro, mas foi a fala do senador Tim Scott, negro e republicano da Carolina do Sul.
 
 
 
"Não são casos isolados. É uma lógica de uma polícia que se arvora no direito de dizer quem vive e quem morre", afirma a psicóloga Marisa Feffermann, da Rede de Proteção e Resistência Contra o Genocídio, que lançou recentemente a campanha "Fala Quebrada" para reunir denúncias de ações policiais violentas, além de outras situações de desrespeito aos direitos básicos fundamentais. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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