OPINIÃO: Jornalismo não é palanque: ética e maturidade diante da derrota política

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Jornalismo não é palanque: ética e maturidade diante da derrota política - Por Miro Costa

 

 

Em períodos eleitorais, é comum que profissionais da comunicação assumam funções em campanhas ou em cargos públicos como assessores. Trata-se de uma escolha legítima e prevista na dinâmica democrática. O problema começa quando, após a derrota do candidato que apoiavam, esses mesmos profissionais retornam às suas colunas ou espaços na imprensa e passam a atacar sistematicamente o gestor eleito, movidos não por análise técnica, mas por frustração pessoal.

 



A linha que separa o jornalista do assessor político é clara ou pelo menos deveria ser. O assessor trabalha para defender interesses institucionais ou partidários. Já o jornalista tem compromisso com a sociedade, com a informação equilibrada e com a verdade factual. Quando esses papéis se confundem, a credibilidade se fragiliza.

 


A crítica ao prefeito eleito é não apenas legítima, mas necessária em uma democracia. A imprensa cumpre papel essencial de fiscalização do poder público. No entanto, há uma diferença profunda entre crítica fundamentada e ataque movido por ressentimento. Quando a motivação deixa de ser o interesse público e passa a ser a perda de um cargo, o jornalismo perde sua essência e se aproxima da militância disfarçada.

 


O Código de Ética da profissão é claro ao defender independência, responsabilidade e compromisso com a verdade. O público percebe quando a análise é técnica e quando é pessoal. E, uma vez que a confiança é abalada, dificilmente é totalmente recuperada. A credibilidade é o maior patrimônio de um jornalista mais valiosa do que qualquer cargo 
temporário.

 



Também é preciso maturidade democrática. Eleição é escolha da maioria. Perder faz parte do processo. 
O profissional que compreende isso demonstra grandeza, equilíbrio e respeito às regras do jogo. Já aquele que transforma sua frustração em campanha permanente contra o vencedor revela fragilidade emocional e política.

 



Um bom jornalista pode até ter posição política  afinal, neutralidade absoluta não existe mas deve ter responsabilidade profissional. Isso significa separar opinião de informação, transparência sobre possíveis conflitos de interesse e, sobretudo, compromisso com o leitor.

 



No fim das contas, cargos passam. Mandatos terminam. Mas a reputação permanece. O jornalista que sabe se conformar com a derrota de seu candidato demonstra algo muito maior do que fidelidade partidária: demonstra caráter, ética e respeito à profissão.


Miro Costa é jornalista atuante em Rondônia

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