ERROU A ARMA: Tensão racial volta aos Estados Unidos após policial matar jovem negro

Presidente Biden pede calma à população, após protestos violentos

ERROU A ARMA: Tensão racial volta aos Estados Unidos após policial matar jovem negro

Foto: Divulgação

 

Sob toque de recolher e em estado de emergência, Brooklyn Center — cidade de 30 mil habitantes — tornou-se, na tarde do último domingo, o epicentro da tensão racial.
 
 
A apenas 16km de Minneapolis, onde ocorre o julgamento de Derek Chauvin, o ex-policial acusado de asfixiar até a morte George Floyd, o também homem negro Daunte Wright, 20 anos, foi assassinado por uma agente, depois de uma abordagem no trânsito por habilitação vencida.
 
 
A cobrança por justiça no caso Floyd e o novo crime acirraram os ânimos dos manifestantes. Estabelecimentos comerciais foram saqueados e veículos, depredados, enquanto as forças de segurança reagiam com gás lacrimogêneo e balas de borracha. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, pediu calma à população de Brooklyn Center. “O que aconteceu é verdadeiramente trágico, mas acho que é preciso esperar para ver o que mostra a investigação.”
 
 
Tim Gannon, chefe da polícia de Brooklyn Center, exibiu o vídeo gravado pela câmera que a policial, cujo nome não foi revelado, trazia ao corpo.
 
 
“A policial sacou sua pistola no lugar da taser (pistola de choques elétricos)”, explicou. “Foi um tiro acidental que resultou na trágica morte de Daunte Wright”, lamentou.
 
 
Na filmagem,um policial tenta algemar Daunte, encostado em seu carro. O homem consegue se desvencilhar e entra no veículo. A policial, então, grita “Taser! Taser! Taser!” e dispara várias vezes. Pouco depois, ela afirma: “Oh, m... Eu o baleei”. Biden classificou as imagens de “bastante explícitas”. “A pergunta é: foi acidente? Foi intencional? Isso será determinado por uma investigação completa”, assegurou.
 
Em entrevista ao Correio, Alfreda Daniels Juasemai, 29, líder comunitária de Brooklyn Center, disse acreditar que a morte de Wright foi motivada pelo racismo e desqualificou a tese de Gannon de que a policial confundiu as armas.
 
 
“É ridículo. Estão confimando que as pessoas de quem dependemos para nos proteger são incompetentes. Como uma policial não sabe a diferença entre uma pistola e uma Taser?”, questionou, enquanto se dirigia ao local marcado para novas manifestações, na tarde de ontem.
 
 
“Agora, uma criança está sem o pai; uma mãe, sem o filho; e uma família sem seu ente querido”, desabafou. Alfreda relatou que, apesar de “tristes e frustrados”, os moradores de Brooklyn protestariam pacificamente. Daunte Wright deixa um filho de 2 anos.
 
“Devemos ter paz esta noite”, declarou Jacob Frey, prefeito de Minneapolis, ao decretar o toque de recolher entre 19h (21h em Brasília) e 6h (8h) de hoje. A medida valeria também para St. Paul, cidade gêmea de Minneapolis, e para os três condados da região metropolitana, incluindo o de Hennepin, onde Wright morreu.
 
 
Joe Biden criticou os atos de vandalismo da noite de domingo. “Quero voltar a deixar claro: não há absolutamente nenhuma justificativa, nenhuma, para os saques”, destacou. No entanto ele considerou “compreensíveis” os atos pacíficos. “Sabemos que a raiva, a dor, o sofrimento que existe na comunidade negra neste contexto é real, grave e importante. Mas isso não justifica a violência. Deveríamos ouvir a mãe de Daunte, que pede paz e tranquilidade”, recomendou.
 
Katie Wright conversava com o filho no momento da abordagem policial, por volta das 13h30 de domingo (15h30 em Brasília). “Ele me contou que estava sendo parado pela polícia. E eu perguntei o motivo. Ele disse que o pararam porque tinha purificadores de ar pendurados no espelho retrovisor. Eu disse: ‘Ok, retire-os’”, relatou à imprensa. A mãe disse que ouviu alguém gritar “Daunte, não corra!”. Quando ela retornou a ligação, o rapaz estava morto.
 
 
“Ele tinha apenas 20 anos e não merecia morrer assim. Eu só quero meu bebê de volta para casa. É tudo o que eu quero, tê-lo em casa. Não quero todo mundo aqui cantando e gritando. Só quero ele em casa”, disse a mãe.
 
Julgamento
 
O julgamento do ex-policial Derek Chauvin, que matou George Floyd após ajoelhar-se sobre o pescoço do homem por quase nove minutos, em 25 de maio de 2020, deve terminar na próxima segunda-feira.
 
 
Os advogados de Chauvin pediram ao juiz Peter Cahill que isolasse o júri, com receio de os membros serem influenciados pelos protestos. Chauvin responde a acusações de homicídio culposo e doloso em segundo grau. Floyd, 47, foi preso por supostamente ter usado uma nota falsa em uma loja.
 
Twitter/Reprodução
 
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