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PARADOS: Youtube encerra dois canais do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos

"todos os conteúdos publicados na plataforma precisam seguir as diretrizes de comunidade"

CORREIO BRAZILIENSE

04 de Fevereiro de 2021 às 10:35

Foto: Divulgação

 

O Youtube encerrou na noite desta quarta-feira, 3, dois canais do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no inquérito que mira a organização e financiamento de atos antidemocráticos. Foram desligados o canal principal utilizado por Allan e uma conta reserva que estava sendo utilizada pelo blogueiro - segundo a plataforma, ambos os perfis violaram os termos de serviço do site.
 
 
Segundo o Estadão apurou, a conta principal de Allan dos Santos já havia sofrido uma advertência quando o blogueiro passou a utilizar a conta reserva para burlar eventuais punições da plataforma. O uso de perfis alternativos para driblar as regras é uma das violações que levaram ao encerramento dos dois canais.
Em nota, o Youtube informou que "todos os conteúdos publicados na plataforma precisam seguir as diretrizes de comunidade" da rede social e que a empresa "se reserva o direito de restringir a criação de conteúdo de acordo com os próprios critérios".
 
 
"Caso uma conta tenha sido restringida na plataforma ou impossibilitada de usar algum dos nosso recursos, o criador não poderá usar outro canal para contornar essas penalidades", frisou a rede social. "Essa regra se aplicará a todo o período em que a restrição estiver ativa. Consideramos a violação dela um descumprimento dos nossos Termos de Serviço, o que pode levar ao encerramento da conta".
 
 
Allan dos Santos é um dos alvos da investigação que mira suposta organização de atos em defesa da ditadura militar e contra a democracia no ano passado. Em setembro, o Estadão revelou conversas trocadas entre o blogueiro com o tenente-coronel Mauro Cesar Barbosa Cid, chefe da Ajudância de Ordem da Presidência da República, na qual Allan defende que "as Forças Armadas precisam entrar urgentemente".
 
 
Em depoimento prestado à Polícia Federal e obtido pelo Estadão, Mauro Cid declarou à PF que não se recordava de "ter estabelecido" conversas com Allan dos Santos sobre a "necessidade de intervenção das Forças Armadas" e negou apoiar a ideia. Ele, no entanto, admitiu que fazia o "leva e traz" para o presidente Jair Bolsonaro - repassando mensagens de Allan e demais apoiadores ao Planalto.
 
 
Em julho passado, o blogueiro teve a conta no Twitter retida no País após a rede social atender ordem do ministro Alexandre de Moraes, que determinou a suspensão do perfil de Allan e de outros investigados, como a extremista Sara Giromini e o empresário Luciano Hang.
 
 
A medida foi justificada pela necessidade de "interromper discursos criminosos de ódio" e solicitada ainda em maio, quando apoiadores do governo foram alvo de buscas em operação da Polícia Federal. Na ocasião, Moraes apontou "sérios indícios" de que o grupo praticou crimes de calúnia, difamação, injúria, associação criminosa e contra a Segurança Nacional.
 
 
"Essas tratativas ocorreriam em grupos fechados no aplicativo de mensagens Whatsapp, permitido somente a seus integrantes. O acesso a essas informações é de vital importância para as investigações, notadamente para identificar, de maneira precisa, qual o alcance da atuação desses empresários nessa intrincada estrutura de disseminação de notícias fraudulentas", apontou o ministro.
 
 
O blogueiro, porém, passou a utilizar uma conta reserva e continua a utilizar o Twitter normalmente desde então. Após ser investigado e ser alvo de buscas pela Polícia Federal, Allan dos Santos deixou o País e atualmente reside nos Estados Unidos.
 
 
Leia a nota do Youtube:
 
"Todos os conteúdos no YouTube precisam seguir nossas diretrizes de comunidade. Contamos com uma combinação de sistemas inteligentes, revisores humanos e denúncias de usuários para identificar conteúdo suspeito e agimos rapidamente sobre aqueles que estão em desacordo com nossas políticas. O YouTube também se reserva o direito de restringir a criação de conteúdo de acordo com os próprios critérios. Caso uma conta tenha sido restringida na plataforma ou impossibilitada de usar algum dos nossos recursos, o criador não poderá usar outro canal para contornar essas penalidades. Essa regra se aplicará a todo o período em que a restrição estiver ativa. Consideramos a violação dela um descumprimento dos nossos Termos de Serviço, o que pode levar ao encerramento da conta."
Direito ao esquecimento

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