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IMPASSE: Bolsonaro fala em crise institucional e acusa Moraes de 'decisão política'

Em novas declarações na manhã desta quinta-feira, presidente desafiou o ministro do STF sobre decisão que suspendeu nomeação de Ramagem

CORREIO BRAZILIENSE

30 de Abril de 2020 às 10:26

Atualizada em : 30 de Abril de 2020 às 10:53

Foto: Divulgação

 

O presidente da República Jair Bolsonaro criticou na manhã desta quinta-feira (30/4) o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e chamou de “política” a sua decisão que suspendeu a nomeação do diretor-geral da Polícia Federal Alexandre Ramagem.

 

“Cumpri a decisão liminar chateado. No meu entender, uma decisão política”, afirmou. Após liminar, na quarta-feira (29), o presidente revogou a nomeação.

 
Bolsonaro ainda frisou que a determinação de Moraes quase gerou uma crise institucional. “Tirar numa ‘canetada’, desautorizar o presidente da República com uma ‘canetada’ dizendo em impessoalidade? Ontem quase tivemos uma crise institucional. Faltou pouco. Eu apelo a todos que respeitem a Constituição”, disse.
 
 
O presidente disse que não aceitou ainda a decisão do ministro. “Eu não engoli essa decisão do senhor Alexandre de Moraes. Não engoli. Não é essa a forma de tratar o chefe do Executivo”, disse.
 
 
Ele ainda desafiou o ministro a tirar Ramagem da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), cargo que hoje ocupa, e afirmou que a Advocacia-Geral da União irá recorrer da liminar do STF. “Se não pode estar na Polícia Federal, também não pode estar na Abin. Senhor Alexandre de Moraes, aguardo de vossa excelência uma canetada para tirar o Ramagem da Abin. Para ser coerente”, pontuou. Bolsonaro disse que irá pedir para um assessor tratar sobre isso com o ministro ainda hoje.
 
 
 
Bolsonaro disse esperar rapidez de Moraes para analisar recursos que, segundo ele, serão realizados pela AGU. “Espero que seja tão rápido quanto a liminar. Eu espero no mínimo isso do senhor Alexandre de Moraes. O mínimo que eu espero é rapidez para que a gente possa tomar as providências. Não justifica a questão da impessoalidade (um dos argumentos na decisão do ministro). Como o Alexandre de Moraes foi para o Supremo? Amizade com o senhor Michel Temer”.
 
 
 
Apesar de dizer que irá recorrer, Bolsonaro pontuou que possui outros nomes para dirigir a PF, e que pretende indicar o mais rápido possível o diretor-geral. “Que é competência minha indicar, e quero o mais rápido possível para dar tranquilidade para a Polícia Federal trabalhar”, ressaltou.
 
 

Constituição

 

 
Ao falar sobre a crise institucional que vai foi gerada após decisão de Moraes, Bolsonaro lembrou de seu discurso na última quarta-feira, em evento de posse do novo ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, e do novo advogado-geral da União (AGU), José Levi Mello do Amaral Júnior. “Ontem eu comecei o pronunciamento falando da Constituição. Eu respeito a Constituição e tudo tem um limite”, disse.
 
 
 
discurso do presidente na quarta-feira veio pouco depois da decisão do ministro do STF. Seria então que Alexandre Ramagem também seria empossado. Na ocasião, ele leu trecho da Constituição que diz que “são poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário”.
 
 

“Assim, me dirijo a essa nação. Não posso admitir que ninguém ouse desrespeitar ou tentar desbordar a nossa constituição. Esse é o meu papel, não só dos demais poderes. Harmonia, independência e respeito entre si”, afirmou. No evento, estavam presentes o presidente do STF, Dias Toffoli, e o ministro Gilmar Mendes.

 
 

Entrevista

 

 
No decorrer da entrevista, na saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro só respondeu a questionamentos de uma repórter. Outros jornalistas no local tentaram fazer perguntas, mas o presidente afirmou que não responderia e se referiu a um deles como “fake news”. Conforme reportagem da Folha, a repórter em questão era da rede CNN Brasil.
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