Fim do disse-me-disse. O que realmente aconteceu com a garota em Candeias- Por Sandra Santos

Fim do disse-me-disse. O que realmente aconteceu com a garota em Candeias- Por Sandra Santos

Foto: Divulgação

Há alguns dias a população de Porto Velho ficou chocada com boatos sobre um possível abuso sexual com requintes de crueldade. Segundo o disse-me-disse, uma garota em Candeias havia sido violentada por 5 homens que a deixaram na beira da rodovia para morrer e que por sorte, foi socorrida por alguém que passava naquele momento.

As mais diferentes versões que circularam pela cidade foram compartilhadas nas redes sociais e rodas de amigos.

Como começaram os boatos.

Ao dar entrada no hospital, devido aos graves ferimentos na região íntima, os médicos suspeitaram de violência sexual e acertadamente acionaram a polícia.O boletim de ocorrência nº 15E1002015789, que corresponde ao crime de tentativa de homicídio foi registrado por uma equipe da Polícia Militar. 

Na sequência uma enfermeira, arrisco dizer que sem ética nenhuma, gravou um áudio falando sobre a suposta violência sexual sofrida pela garota e contava  detalhes sobre sua condição física. O áudio foi enviado para um grupo de whatsapp, supostamente de amigos dela, que por sua vez,  foi repassado para outros grupos aumentado  assim uma série de disse-me-disse.

Delegacia de Candeias.

A partir do início da  investigação, tudo começou  ser esclarecido. A coluna ouviu ontem a delegada Keite Mota Soares da delegacia de Candeias onde foi feito o boletim de ocorrência. Ela nos disse que ouviu a vítima que negou o abuso, alegando que havia sido um acidente de jet ski.

Segundo a delegada a linha de investigação seguiu para um caso de acidente, porque uma pessoa vítima de violência sexual não iria passear de jet ski após sofrer abuso com requintes de crueldade..

Durante a investigação foi localizado uma testemunha que ajudou no socorro à garota.

O que realmente aconteceu

Segundo a delegada Keite, a garota foi com um amigo e uma amiga para Candeias do Jamari, pararam na marina onde deixaram o automóvel e passaram o dia passeando de jet ski. Por volta de 17h00 horas resolveram dar uma última volta . Nas imediações do balneário Ilha Verde, estavam os três na moto aquática, o amigo pilotava, a amiga estava sentada no meio e a vítima do acidente estava atrás. A amiga contou que um instante antes do acidente, a vítima se levantou, o rapaz não viu e acelerou para se desviar de algum obstáculo no rio. Foi naquele momento que ela caiu para trás.

No instante da queda as partes íntimas foram terrivelmente atingidas pelo jato d´água que sai com muita pressão do equipamento ferindo-a gravemente tqambém por dentro.

 Um outro rapaz, que é uma das testemunhas e que também andava de jet ski no mesmo local, viu a garota gritando após cair e foi socorre-la achando que se afogava, mas no momento que a levantou, viu a quantidade de sangue.

A coluna também ouviu a testemunha e assim como disse para a delegada, eles nos contou que o rapaz que estava com a vítima pediu a ele e à esposa que socorressem a garota, pois o carro dele estava na marina e o socorro poderia demorar mais. A testemunha e a esposa, que estavam com o carro no balneário Ilha Verde, resolveram então leva-la para o hospital.

A testemunha deixou a vítima no posto e foi embora deixando-a sob os cuidados da amiga.

Foi então que começaram as desconfianças: segundo a delegada, um homem que deixa uma garota sangrando nas partes intimas em um hospital e na sequência vai embora, é algo, de fato, suspeito. Quando a vitima foi atendida, foi constatada a gravidade da situação. O medico desconfiou de abuso e chamou a polícia.

A delegada ouviu ainda o legista que afirmou que aquele é um tipo de ferimento raro, mas pode acontecer.

Há várias testemunhas sobre o acidente. E todos viram o momento que aconteceu. Os agentes ouviram algumas e nenhuma caiu em contradição.

Conclusão: foi acidente. Um horrível acidente.

O poder do boato

O boato tem um poder avassalador de destruir vidas e causar inclusive a morte de pessoas. Foi por causa dele que uma senhora na cidade de Guarujá em São Paulo foi linchada por populares, para na sequência descobrirem que tudo era uma grande e cruel mentira. Já não havia mais o que fazer e uma família foi emocionalmente devastada.

Outro caso notório em São Paulo, atingiu o proprietário de uma escola que perdeu os alunos e teve o seu empreendimento fechado e sua honra abalada. Ficou provado mais tarde que ele é inocente e ganhou diversas causas na justiça por danos morais. O prejuízo emocional não pode ser recuperado.

Não foi diferente aqui em Porto Velho. O que teria acontecido com o amigo, caso a população tivesse tido acesso a ele?

Pelo fato da garota ser menor, se ele tiver que sofrer alguma consequência por parte da lei, segundo as testemunhas, as provas e a delegada, não será pelo crime de " violência sexual “.

Comentários  diversos circularam, ofendendo desde a honra da garota até a de sua família.

Há que se ter cuidado com o que se espalha sem a certeza do que realmente aconteceu. Ou poderá ser tarde demais para lamentações e “mea culpa”. 

 

 

 

 

 

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