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SEM EFICÁCIA COMPROVADA: Venda de medicamentos para 'prevenir Covid-19' dispara e divide opiniões

“O preço da cartela com quatro comprimidos também subiu. Custava R$ 10, mas passou para R$ 25”

FOLHA DO SUL ONLINE

04 de Fevereiro de 2021 às 09:30

Foto: Divulgação

 

Todo mundo está usando. Esta é a percepção que se tem quando se faz uma apuração sobre o consumo, no Cone Sul, dos medicamentos com eficácia não comprada pelos estudos científicos contra a Covid-19.

 
O Folha do Sul Online conversou com farmacêuticos, autoridades de saúde e pacientes sobre o uso destes medicamentos, como a Hidroxicloroquina e a Ivermectina, dentre outros.
 
Segundo informou um farmacêutico de Cerejeiras, que não quis se identificar, a venda do Ivermectina, o que tem sido mais usado, disparou desde o início da pandemia do novo Coronavírus. “O preço da cartela com quatro comprimidos também subiu. Custava R$ 10, mas passou para R$ 25”, disse o profissional de farmácia, relatando uma alta de 150% no preço do remédio.
 
Também ao site, outro farmacêutico, de outro município do Cone Sul e que defende o uso do medicamento, confirmou que a venda do vermífugo disparou e há pessoas que fazem uso contínuo.
 
O Ivermectina é um medicamento contra vermes, sendo antigo no Brasil. O uso do produto contra a Covid-19 se tornou popular após a publicação de um estudo na Austrália, revelando que experimentos em laboratório teriam mostrado que o medicamento diminuía a carga viral nos pacientes com o Coronavírus. Mas o estudo revelou também que a quantidade necessária do medicamento para diminuir a carga viral deveria ser enorme – uma dose que nenhum paciente suportaria. O próprio estudo, na época, relatou que seriam necessárias  mais pesquisas e que não aconselhava o uso do Ivermectina para a prevenção da Covid.
 
Ao Folha, até um dos prefeitos da região do interior do Cone Sul revelou que toma Ivermectina. “Na dúvida, estou tomando”.
 
Seja como for, o assunto é polêmico. Ao que parece, os moradores da região do Cone Sul tomam “na fé”, no argumento de que “se não fazer bem, mal não faz”.  Os exemplos práticos mostram que o uso destes medicamentos saiu da esfera das ciências da saúde e entrou para o campo das preferências ideológicas e crendices populares.
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