Durante o período de Carnaval, quando aumentam os contatos íntimos ocasionais e os chamados “ficantes”, cresce também o risco de transmissão da mononucleose infecciosa, conhecida popularmente como doença do beijo. O alerta é de médicos, que chamam atenção para um sintoma frequentemente ignorado: o cansaço extremo e persistente, que não melhora nem após uma noite inteira de sono.
Causada pelo vírus Epstein-Barr (EBV), a mononucleose é facilmente confundida com estresse, excesso de trabalho ou até uma gripe prolongada, o que acaba retardando o diagnóstico e aumentando o risco de complicações.
A transmissão ocorre principalmente pela saliva, o que torna o Carnaval um período de maior exposição. Além do beijo, o contágio pode acontecer pelo compartilhamento de copos, latas, talheres, escovas de dente ou até por gotículas de tosse e espirro.
Além da fadiga intensa, a doença apresenta sinais que ajudam a diferenciá-la de infecções respiratórias comuns. Entre eles estão febre alta, dor de garganta intensa, muitas vezes com placas esbranquiçadas, e inchaço dos gânglios linfáticos no pescoço e nas axilas. Em alguns casos, ocorre também o aumento do fígado ou do baço, o que pode provocar dor ou desconforto abdominal.
A fase aguda da mononucleose costuma durar de duas a quatro semanas, mas o cansaço pode se estender por meses, impactando a rotina do paciente. Por isso, médicos fazem um alerta importante: devido ao risco de ruptura do baço, que fica inchado e sensível durante a doença, é recomendado evitar atividades físicas intensas e esportes de contato no período de recuperação.
Não existe medicamento capaz de eliminar o vírus. O tratamento é baseado em repouso absoluto, hidratação adequada e uso de analgésicos ou antitérmicos apenas para aliviar os sintomas. O diagnóstico é confirmado por exames de sangue, como hemograma e testes sorológicos específicos.
Especialistas reforçam que quem percebe que a energia não retorna ao normal após semanas, mesmo com descanso, deve procurar um clínico geral ou infectologista. A mononucleose não diagnosticada pode favorecer outras infecções e provocar complicações hepáticas, tornando o cuidado e a atenção aos sintomas ainda mais essenciais após o Carnaval.