SEM PRIORIDADE: Emendas Pix bancam shows milionários e prefeituras alegam falta de recursos

Em Rondônia, é recorrente a contratação de artistas nacionais para grandes festas agropecuárias, aniversários de municípios e eventos populares

SEM PRIORIDADE: Emendas Pix bancam shows milionários e prefeituras alegam falta de recursos

Foto: Agência Senado

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O uso de emendas parlamentares do tipo Pix para financiar shows sertanejos milionários levanta questionamentos sobre as prioridades de gastos de administrações municipais que frequentemente alegam falta de dinheiro para atender demandas da população. Em Fartura, no interior de São Paulo, R$ 1,1 milhão que deveria ser destinado a investimentos em obras foi utilizado para pagar cachês de três atrações musicais, entre elas a dupla Jorge & Mateus.
 
O caso foi identificado após a mudança de gestão municipal e comunicado ao governo federal. Segundo informações da prefeitura, os recursos foram utilizados para contratar artistas que se apresentaram na Expofar, festa agropecuária realizada em abril de 2024.
 
A maior parte do dinheiro foi destinada aos cachês de Jorge & Mateus, contratados por R$ 556 mil. Ícaro & Gilmar receberam R$ 344 mil, enquanto Clayton & Romário tiveram cachê de R$ 240 mil. Juntos, os contratos somaram R$ 1,14 milhão.
 
As despesas ocorreram durante a administração do então prefeito Luciano Peres (PSDB), conhecido como Luciano Filé. A nova gestão, comandada por Marcão do Haras (PSD), denunciou a situação no ano seguinte.
 
Segundo os registros apresentados pelo município, a verba de R$ 1,1 milhão foi indicada pelo ex-deputado federal Samuel Moreira (PSD-SP). Outros R$ 600 mil, provenientes de emendas dos deputados Capitão Augusto (PL-SP) e Paulo Teixeira (PT-SP), também foram creditados na mesma conta municipal. Os recursos tinham destinação de investimento, e a previsão orçamentária local identificava a aplicação como obras e instalações.
 
O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) identificou desvio de finalidade, conforme documentos encaminhados ao sistema federal Transferegov.
 
O episódio de Fartura não é isolado no debate nacional sobre o financiamento de eventos com dinheiro público. Um levantamento divulgado em setembro de 2026 pelo The Intercept Brasil, com base em pesquisa do observatório De Olho nos Ruralistas, identificou mais de R$ 5 bilhões pagos por governos estaduais e prefeituras a artistas entre janeiro de 2024 e março de 2026. O sertanejo aparece como o gênero musical que mais recebe recursos, concentrando aproximadamente 35% dos valores analisados. 
 
Rondônia também utiliza dinheiro público para megashows
 
Em Rondônia, a contratação de artistas nacionais para grandes festas agropecuárias, aniversários de municípios e eventos populares também se tornou prática recorrente, frequentemente financiada por emendas parlamentares.
 
Um exemplo recente ocorreu em Cujubim, durante a Expobim, em junho de 2026, que recebeu a dupla sertaneja Jads & Jadson, com recursos de emendas parlamentares. Em Guajará-Mirim, contratações de atrações musicais para o aniversário do município também somaram R$ 450 mil. 
 
A realização de eventos culturais e a contratação de artistas não são, por si só, ilegais. O problema está na falta de transparência, nos valores dos contratos e na prioridade estabelecida pelos gestores. Enquanto administrações municipais frequentemente alegam limitações financeiras para investimentos em saúde, saneamento, infraestrutura e serviços básicos, milhões de reais são direcionados a estruturas de entretenimento e cachês de artistas famosos.
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