Em 2016, Joe Tippens recebeu o diagnóstico de câncer de pulmão metastático em estágio avançado. Após prognósticos desfavoráveis e poucas expectativas de sobrevida prolongada, ele iniciou um protocolo não convencional que incluía fenbendazol — um antiparasitário de uso veterinário — além de curcumina e óleo de CBD.
Meses depois, exames de imagem mostraram remissão completa da doença.
O caso se espalhou rapidamente pelo mundo como um possível “milagre terapêutico” e deu origem ao chamado “Protocolo Tippens”, seguido desde então por milhares de pacientes fora de ambientes clínicos formais.
Mas o que a ciência diz?
O fenbendazol pertence à família dos benzimidazóis, compostos conhecidos por interferirem nos microtúbulos celulares — estruturas fundamentais para a divisão das células. Esse mecanismo é semelhante ao de alguns quimioterápicos já estabelecidos.
Estudos pré-clínicos sugerem que o fenbendazol pode:
• alterar o citoesqueleto tumoral
• induzir apoptose em células cancerosas
• interferir no metabolismo da glicose tumoral
• aumentar o estresse oxidativo em células malignas
Evidência frequentemente citada: DOI: 10.1038/s41598-018-30158-6
Ponto essencial: Apesar do interesse gerado, um caso individual não é prova científica de eficácia. Até o momento, isso não equivale a uma terapia validada clinicamente. Por isso, o caso Tippens continua sendo um dos temas mais debatidos entre pacientes e oncologistas.