Entre Deus e o pecado, clássico de 1960, dirigido com maestria pelo roteirista e cineasta Richard Brooks e soberbamente protagonizado pelo ator Burt Lancaster (A um passo da eternidade, O Leopardo), que pela inesquecível performance ganhou o Oscar de melhor ator. Premiação mais que merecida, porque domina cada frame dos 147 minutos do filme.
Lancaster é Elmer Granty, um vendedor ambicioso que, nos anos 1920, passa a fazer parte de uma igreja evangélica, pregando e convertendo graças à sua habilidade como orador. A intensidade dramática de Granty cativa a todos, inclusive a líder religiosa fanática vivida pela excelente Jean Simmons (Spartacus, O Manto Sagrado).
O roteiro de Brooks é baseado no livro homônimo de Sinclair Lewis. A obra e a adaptação cinematográfica desnudam as formas de manipulação sofridas pelos que seguem cegamente a fé e mostram por dentro igrejas que fazem da religião um negócio. Só poderia desaguar em polêmica.
Entre Deus e o pecado é o tipo de material que um cineasta voltado à denúncia social, como Richard Books, trabalha com temas fortes com o objetivo de fazer o público refletir e ao mesmo tempo mostrar a realidade nua e crua, sem retoques ou retórica vazia. Uma legítima obra prima do cinema realizada por um dos seus grandes mestres.
O astro hollywoodiano construiu uma carreira, cuja filmografia totaliza 70 longas metragens. Atuou sob a direção de mestres como Luchino Visconti, Louis Malle, Fred Zimmermann, Robert Aldrich, Robert Altman, John Huston, Bernardo Bertolucci, dentre outras.
Burt Lancaster (1913-1994) foi um aclamado ator e produtor norte-americano, conhecido pela combinação de porte atlético (ex-acrobata de circo) e intensidade dramática. Estreou em 1946 em Os Assassinos. Atuou em produções de vários gêneros: faroeste (Vera Cruz), com Gary Cooper, Sem lei e sem alma, com Kirk Douglas), drama (A embriaguez do sucesso, com Tony Curtis), Atlantic City, de Lois Malle, O campo dos sonhos, contracenando com Kevin Costner, entre outros.
Lancaster foi um dos primeiros grandes astros de Hollywood a produzir seus próprios filmes, garantindo maior controle artístico e financeiro. Ele mostrou que era muito mais e muitos dos longas onde atuou, certamente comprovam seu talento dramático, sem falar no carisma.
Burt Lancaster no seu último personagem, o médico de O campo dos sonhos. Uma performance inesquecível de um grande ator.
Lancaster entre outros dois mitos do cinema - Montgomery Cliff (esquerda) e Frank Sinatra (direita) no intervalo das filmagens de A um passo da eternidade, do diretor Fred Zimmermann.
Burt Lancaster em foto de divulgação.