Toda vez que uma empresa brasileira fecha negócio com uma chinesa, o dólar entra na transação sem ser chamado. Ele cobra, converte e, se quiser, pode bloquear. O Brasil apresentou ao BRICS uma proposta para mudar isso: um sistema de pagamentos que conecta moedas locais diretamente, sem passar pelo dólar nem pelo SWIFT. A ideia funciona como um Pix internacional entre os países do bloco.
A motivação vai além da eficiência. Depois que a Rússia foi cortada do SWIFT em 2022, ficou claro que depender de uma infraestrutura controlada por potências rivais é um risco geopolítico real. O BRICS Pay nasce como uma saída para isso.
Mas tem questões sérias na mesa. Quem garante que governos autoritários dentro do bloco não vão ter acesso às transações de pessoas físicas? Na Europa, essa proteção existe por lei. No BRICS, ainda não há resposta.
Para quem investe, o sinal é simples: qualquer movimento que reduza a demanda global por dólar afeta a lógica dos ativos dolarizados. Não é para agir agora. É para entender para onde o tabuleiro está se movendo.