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OPINIÃO: Projeto imoral - Por Valdemir Caldas

Por Valdemir Caldas

Por Valdemir Caldas

04 de Maio de 2020 às 09:39

Foto: Divulgação

Concordo plenamente com o deputado estadual Adelino Follador quando afirma que o projeto de lei com o qual o Poder Executivo pretende perdoar uma dívida bilionária de uma concessionária de energia elétrica com o Estado pode até ser legal, mas não deixa de ser imoral, principalmente no momento difícil pelo qual vive a população de Rondônia, tendo que enfrentar uma pandemia de dimensão mundial, onde a carência de recursos é evidente.

Como presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação da ALE-RO, Follador já deixou claro que, se depender dele, vai mandar a proposta do Executivo às favas, no que está coberto de razão. O governador Marcos Rocha, por quem tenho profundo respeito e admiração, deveria colocar a mão na consciência, mandar retirar esse projeto vergonhoso de pauta e jogá-lo na primeira lata de lixo que encontrasse pela frente, como sinal de respeito à população de Rondônia, que paga uma das tarifas de energia mais caras do país e, quando atrasa quinze dias, já recebe ameaça de corte, mesmo em tempos de pandemia.

Uma das vantagens dos regimes abertos é a possibilidade de os dirigentes do povo ouvirem o clamor popular e orientarem suas decisões, em grande medida, pelas vozes das ruas. E se o governador resolver consultar as vozes das ruas descobrirá que noventa e nove por cento da população é contra esse monstrengo, porque o que as vozes das ruas reivindicam, sobretudo hoje, são melhores condições de atendimento na área da saúde, o que, por si só, não justifica ao governo abrir mão de uma soma considerável de recursos, que poderia muito bem ser aplicado no setor para aplacar a dor e o sofrimento de milhares de rondonienses, que não podem pagar um plano de saúde particular.

A CCJR precisa estar de prontidão para rejeitar, refutar essa excrescência legislativa, mascarada com tintas de generosidade, patrocinada com o suado dinheiro do contribuinte rondoniense. Em vez de afagos, de carícias, de benevolências, o governador precisa jogar pesado contra essa gente. O combate à exploração, à ditadura contra o povo, praticada por segmentos empresarias, foi uma das promessas de campanha do governador Marcos Rocha na sua marcha para o Palácio Getúlio Vargas, certo? Se esse tipo de generosidade já era discutível, no passado, hoje constitui, sem dúvida, um erro imperdoável. Já admirava o deputado Adelino Follador. Agora, o admiro ainda mais. Gostaria de dizer o mesmo do governador Marcos Rocha, em quem votei no segundo turno, mas prefiro aguardar um pouco mais, pois, como já disse alguém, o tempo é o senhor da razão. Vai que ele decida recolher essa proposta imoral.  

Direito ao esquecimento

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