O Brasil voltou a figurar entre os países com pior percepção de corrupção no mundo. Segundo a nova edição do Índice de Percepção da Corrupção (IPC), divulgada pela Transparência Internacional, o país alcançou 35 pontos em uma escala de 0 a 100 e ocupa a 107ª posição entre 182 nações avaliadas. É a segunda pior nota da série histórica e a pior colocação já registrada.
Apesar de ter subido um ponto em relação ao ano anterior, a variação é considerada estatisticamente irrelevante. Na prática, o dado indica estagnação. O desempenho brasileiro segue bem abaixo da média global, que é de 42 pontos.
Junto com o índice, a Transparência Internacional Brasil publicou a “Retrospectiva Brasil 2025”, relatório qualitativo que analisa os principais fatos relacionados à corrupção no país ao longo do último ano. A entidade esclarece que o documento não influencia o resultado do IPC, que é compilado pelo secretariado global da organização com base em até 13 fontes independentes e externas.
A retrospectiva aponta avanço da macrocorrupção e do crime organizado sobre estruturas centrais do Estado, especialmente no sistema financeiro e no sistema de Justiça. O relatório destaca lacunas regulatórias, conflitos de interesse e fragilidades institucionais que dificultam a responsabilização de agentes poderosos.
Enquanto escândalos se sucedem no noticiário, o padrão identificado é de baixa responsabilização e esquecimento das vítimas. Entre elas estão investidores prejudicados por fraudes em fundos previdenciários, cidadãos atingidos por esquemas bilionários e comunidades afetadas pela expansão do crime organizado e pela captura de estruturas públicas.
Para a entidade, o combate à corrupção está diretamente ligado à garantia de direitos básicos, como segurança, justiça imparcial e acesso a serviços públicos eficientes. O IPC deste ano foi repercutido por mais de 300 veículos de imprensa e pautou editoriais em jornais de alcance nacional, reforçando o debate técnico sobre o tema.
A organização afirma que seguirá atuando de forma independente e defende o fortalecimento do apoio da sociedade civil para sustentar iniciativas de monitoramento e enfrentamento à corrupção no país.