REVENDO: Minissérie Drácula da Netflix começa bem e termina mal - Por Marcos Souza

REVENDO: Minissérie Drácula da Netflix começa bem e termina mal - Por Marcos Souza

Foto: Divulgação

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A primeira vez que eu li "Drácula", de Bram Stoker, eu ainda era adolescente e nunca mais reli; porém, é uma obra incrível, imortal, absoluta e genial. Amei a narrativa feita por cartas e diários dos protagonistas, que narram a história terrível de um homem cruel que vive e se alimenta de sangue humano. As nuances da história gótica retratam de forma fiel o período da era vitoriana, com descrições paisagísticas soturnas: névoas, escuridão, vento frio e clima de suspense.
 
A Netflix lançou, em 2020, essa produção da BBC One: uma minissérie em três partes de "Drácula", baseada na obra de Stoker. Cada episódio tem 90 minutos. Achei muito interessante.
 
A produção foi criada e escrita por Mark Gatiss e Steven Moffat e é uma releitura moderna, sangrenta e audaciosa do clássico de Stoker, estrelada por Claes Bang como o vampiro titular. A narrativa explora a transição do conde da Transilvânia para a Inglaterra vitoriana até os dias atuais.
 
 
Claro, a obra toma liberdades narrativas, muda personagens e recria situações catárticas não vistas no romance. Mas o que é brilhante no primeiro capítulo, surpreendente no segundo, tem uma reviravolta polêmica no terceiro e derradeiro episódio, deixando a minissérie à mercê de um anticlímax — na minha opinião — absoluto, nada a ver e tão absurdo que me irritou.
 
“Drácula”, da Netflix, traz um misto de sentimentos por causa da produção, muito bem-feita, com esmero na direção de arte, cenários e efeitos especiais, além de uma proposta intensa e densa — um drama de potencial gore (sangrento) inesquecível. E descamba para um final apoteótico moderno, calcado em uma série de sequências bizarras de humor negro.
 
No entanto, pode ser que caia nas graças de quem procura uma versão moderna do vampiro, com ele vivendo nos tempos atuais, cercado por celulares, redes sociais e encontros por aplicativos.
Tem que assistir para entender.
 
Segue o meu ponto de vista e análise dos capítulos da minissérie, com spoilers.
 
Recomendo que, se tiver interesse em assistir, veja primeiro e depois volte aqui ao texto.
 
 
CUIDADO: SPOILERS
 
Temos, no primeiro episódio, a narrativa da história quase similar à obra original, com o personagem do advogado Jonathan Harker conhecendo o conde que quer comprar um imóvel em Londres (England). Jonathan é noivo de Mina, por quem cultiva uma paixão e o compromisso de casamento.
Ele segue sozinho para o misterioso castelo de Drácula, na Transilvânia, onde ninguém da comunidade ao redor quer ir, pois o teme.
 
O enredo, então, segue quase fiel ao livro, com o jovem advogado conhecendo o idoso conde, que vai manipulando-o em torno de sua permanência no castelo e inicia seu processo de degeneração.
 
É um espetáculo esse episódio, com cenários e figurinos, além da fotografia maravilhosa, mostrando duas narrativas: uma no tempo presente, com Jonathan quase morto, débil, deformado fisicamente, sendo interrogado por duas freiras — uma delas depois se revela ser Agatha Van Helsing; a outra narrativa mostra o que antecede Jonathan dentro do castelo e seu processo de deterioração física, quando ele conhece a figura hospitaleira de Drácula, que se revela um homem misterioso e que vai lhe tomando a energia e ficando cada vez mais jovem.
 
Jonathan vai contando, de forma dramática, como descobriu os segredos aterrorizantes de seu anfitrião e que se tornou um prisioneiro no castelo. Para piorar, ele descobre que não está sozinho e que Drácula o controla de forma degenerativa e irreversível.
 
Então, o advogado descobre que, no tempo presente, está em um convento e que o local logo irá receber a visita sombria do vampiro. E que visita. É um banho de sangue e horror até fechar o episódio com ganchos incríveis para o segundo, entre eles o destino final de Jonathan e o massacre das freiras com a invasão de Drácula.
 
Até aí, uma maravilha. Há cenas impactantes; o ator Claes Bang, que faz o personagem-título, é uma força da natureza e está muito à vontade no papel. Ele consegue dosar, de forma brilhante, o cinismo, a ironia e a brutalidade.
 
 
O segundo episódio se passa no navio que vai conduzir Drácula à Inglaterra, onde pretende estabelecer uma nova casa. Surgem, então, alguns personagens exclusivos que fogem da descrição original do livro em que se baseia, como o médico indiano e sua filha surda e muda; um casal recém-casado cujo marido carrega consigo uma espécie de criado (e amante — fica óbvio que é um casamento falso); a velha marquesa; os tripulantes; e um jovem aprendiz que sonha em ser marinheiro e sair da cidade onde mora.
 
Com esses personagens, Drácula vai se envolver e seduzir, mostrando toda sua força diabólica, sem poupar ironia e inteligência. Ao mesmo tempo em que vítimas vão surgindo ao longo da viagem e uma neblina que nunca acaba, o vampiro reencontra Agatha Van Helsing, que tem plano de destruí-lo; porém, eles entram em um embate com consequências desastrosas, e nada parece impedir o plano de Drácula de chegar à Inglaterra — até uma reviravolta incrível no final, que dá um gancho inesperado para o terceiro episódio.
 
Aí chega o terceiro episódio, e parece que os roteiristas e produtores entraram em consenso para transformar a minissérie em uma comédia, deixando o terror e a carga dramática de lado.
 
Drácula acorda 123 anos depois do que ocorreu com o navio e encontra uma descendente direta de Van Helsing, e ele vira um experimento científico nos tempos atuais. E, acreditem, aquele lorde se adapta fácil aos dias de hoje, inclusive à evolução tecnológica humana, como ter um e-mail, usar um celular e as redes sociais para encontrar suas vítimas, além de descobrir a senha do wi-fi no laboratório onde fica confinado por um tempo.
 
Para piorar, todos os detalhes e a direção refinada dos dois primeiros capítulos, com figurino sofisticado, fotografia espetacular e motivação plausível aos atos dos personagens, se perdem no exagero, na iluminação estourada, em diálogos ridículos e em furos. Drácula se transforma em um galã fitness — sim, ele faz meia hora de bicicleta para manter a forma —, tem um guarda-roupa clean e moderno, sempre de preto, com um terno mais justo.
 
Eu não entendi essa reviravolta para o episódio final, com tudo modernoso, muito neon e personagens estereotipados, onde o terror se torna nulo e previsível.
 
Incrível como uma série que inicia de forma brilhante tem um final absolutamente ridículo e irritante.
 
Quer assistir a uma adaptação linda de Drácula? Concentre-se no vampiro da adaptação da Universal, com Bela Lugosi, ou no do filme de mesmo nome, do genial diretor Francis Ford Coppola. Valem a pena!
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