ECOSSISTEMA: Parque Serra dos Reis recebe visita do secretário da Amazônia

Gestor ambiental do Projeto Arpa, Darius Augustus, e o secretário Joaquim Leite consultaram o mapa com imagens de satélite

ECOSSISTEMA: Parque Serra dos Reis recebe visita do secretário da Amazônia

Foto: Divulgação

O sonho do ecoturismo no Vale do Guaporé não está mais tão distante da realidade. Ao visitar, na última semana, a sede do Parque Estadual Serra dos Reis, o secretário da Amazônia do Ministério do Meio Ambiente, Joaquim Álvaro Pereira Leite, acenou com apoio federal ao Governo de Rondônia na reestruturação desse reduto verde.
 
A coordenação do Parque está vinculada à Secretaria Estadual do Desenvolvimento Ambiental (Sedam), que tem apoiado a proteção integral às riquezas botânicas e faunísticas desse território de 36,44 mil hectares no município de Costa Marques (fronteira Brasil-Bolívia).
 
Nessa região ainda é possível avistar onças-pintadas, macacos, tamanduás, cobras, lagartos, diversos pássaros, borboletas e demais insetos.
 
Em outubro de 2001, uma empresa de engenharia ajudou na viabilidade da co-gestão, instalando um conselho consultivo com representantes das comunidades locais. Paralelamente, criou um plano de sustentabilidade econômica, visando à recepção de visitantes, turistas, estudantes e público em geral.
 
Bem próximas ao Parque estão as praias do rio Guaporé, onde se encontra o berçário de quelônios que a cada ano povoa as águas com filhotes de tartarugas (Podocnemis expansa) e tracajás (Podocnemis unifilis), oferecendo um dos mais belos espetáculos de reprodução animal do mundo.
 
O secretário visitou o Projeto Quelônios, uma iniciativa da comunidade ribeirinha representada pela Associação Comunitária Quilombola e Ecológica do Vale do Guaporé (Ecovale) em parceria com a Sedam e Batalhão de Polícia Ambiental (BPA).
 
Até então, aves predadoras comem os ovos de tartarugas e tracajás a cada ano, enquanto contrabandistas furtam os próprios animais de seu hábitat natural para vendê-los a restaurantes ou para almoços e jantares clandestinos.
 
O prejuízo à fauna vem se acumulando. Alvo tão fácil quanta a tartaruga, o tracajá também se alimenta do plâncton fluvial, porém, põe menos ovos – de 15 a 30 ovos a cada reprodução. Apenas 10% dos ovos são reproduzidos normalmente.
 
Ovos de tartaruga, alvo fácil nas praias do Guaporé. Se o Parque incorporá-las, protegerá a reprodução
 
A possível incorporação das praias aos limites do Parque possibilitaria melhor fiscalização, evitando esse grave problema.
 
O coordenador de Unidades de Conservação (CUC), Fábio França, e o turismólogo e gestor ambiental do Programa de Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa) no Parque, Darius Augustus, mostraram o local ao secretário Joaquim Leite. É o primeiro que ele visita nesta parte da Amazônia Ocidental Brasileira. A coordenadora de florestas plantadas e mudanças ambientais, Julie Messias também o acompanhou na visita.
 
À frente dos mapas com imagens de satélite, Darius disse acreditar que o Parque com área expandida fortaleceria o Corredor Ecológico Costa Marques-Itenez de La Frontera (Beni, Bolívia), avaliado 30 anos atrás pelo Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio).
 
Da mesma forma, o coordenador da CUC, Fábio França, enfatizou a importância turística desse verde.
 
“Ele mantém em pé uma extensa área de floresta muito rica por sua biodiversidade; é um atrativo natural ao turista que busca experimentar a vivência amazônica”.
 
O gestor Darius Augustus disse ao secretário que no entorno do Parque existem áreas devolutas da União, “ainda não requeridas”. E ponderou: “Tudo depende de vontade política, e, logicamente, de dinheiro”.
 
Joaquim Leite fez fotos da floresta, caminhou numa trilha, e em seguida conheceu a base do Parque, reformada depois de 15 anos da derradeira modificação. Darius mostrou-lhe quartos e alojamentos.
 
Criado em 8 de agosto de 1995, pelo Decreto nº 7027, o Parque teve alterados seus limites pela primeira vez em 1997, pela Lei 764, reafirmando o espaço territorial para a conservação da biodiversidade e realização de pesquisas técnico-científicas. Uma delas é recente e será brevemente informada pela Sedam.
 
TURISMO POTENCIAL
 
Cerca de 20 mil pessoas participam anualmente do Festival de Praia de Costa Marques. Além das atrações faunísticas e florestais do Parque, outro acontecimento também fortalece o pleito: a centenária Procissão do Divino, que também ocorre a cada ano, nas águas do rio Guaporé, passando por diversas comunidades.
 
Joaquim Leite disse ao secretário do Desenvolvimento Ambiental Marcílio Lopes que, se o Parque receber melhor estrutura, a região de Costa Marques ganharia voos regionais a partir de Porto Velho e Guajará-Mirim.
 
Darius explicou-lhe que o Programa Arpa já guarnece bem a conservação da flora e dos animais e, se existir outra fonte de recursos, a exploração do ecoturismo se viabilizaria.
 
“Eu acredito muito nisso; o secretário Marcílio também vê positivamente a nossa aproximação com a indústria do turismo; afinal, de cada nove pessoas empregadas no mundo, uma é nesse setor”, disse Darius Augustus.
 
Em 2017, ao anunciar o projeto Voe Rondônia, a empresa regional de aviação que opera em Rondônia previu voos de turismo com aviões Gran Caravan contemplando Ariquemes, Cacoal, Costa Marques, Guajará-Mirim, Ji-Paraná, Pimenteiras e Vilhena.
 
“Isso acontece na Patagônia, e para atrair mais visitantes em trajetos menores de voos, aqui poderia ser bem utilizada a plataforma floresta e unidade ambiental”, comentou o secretário da Amazônia um dia antes, durante a visita à Base da Resex do rio Cautário, aonde ele chegou, no dia 17.
 
FAZENDEIRO PRESERVA
 
 Dono da Fazenda Bacuri (232 ha), vizinha ao Parque, o baiano Arthur Miranda Neto também conversou com o secretário de Amazônia, dando-lhe notícias alvissareiras: “Eu comecei a trabalhar aqui em meados da década de 1980, e me orgulho de nunca ter queimado, nem sacrificado animais, e a beira dos córregos estão todas preservadas”.
 
“Parabéns, parabéns, sua atuação é valorosa”, elogiou o secretário. “O que precisarem, conte com a gente”, respondeu-lhe Arthur Neto.
 
No período seco do ano, entre junho e outubro, ele consegue confinar 500 bois em apenas um alqueire de pasto. E vê nessa prática “o suficiente”: “Todo cidadão que quiser preservar pode fazer do jeito que eu faço aqui”.
 
O filho dele, o agrônomo Rodrigo, é gestor ambiental e admira muito o Guaporé. A família veio de Bom Jesus da Lapa (BA) em 1985, passou um período em Cerejeiras e se mudou para Costa Marques.
 
O secretário Joaquim Leite explicou ao fazendeiro a disponibilidade de recursos do Programa Floresta+ também para as reservas legais. “A base é boa, a sua preservação de córregos está entre os itens contemplados”, disse a Arthur Neto.
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