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MUDANÇAS: CVC desliga cerca de 200 colaboradores e readequa estrutura

"A companhia está operando normalmente, com a retomada dos negócios de forma gradativa a partir deste mês"

MERCADO E EVENTOS

13 de Julho de 2020 às 15:53

Foto: Divulgação

 

MERCADO E EVENTOS: Erros contábeis, crise no setor, aumento de capital, prejuízo financeiro e demissões. O contexto atual, provocado pela pandemia de Covid-19 e pelos erros de balanço, levaram a CVC Corp a intensificar seu processo de reestruturação. Após mudanças no quadro de diretores nos últimos meses, a companhia realizou uma série de demissões na última sexta-feira (10), que incluíram supervisores, gerentes, nomes com muito tempo de casa e executivos importantes que integraram a equipe nos últimos anos. Fontes ouvidas pelo M&E revelaram que aproximadamente 200 colaboradores foram desligados da empresa.

 

Um dos nomes confirmados pela reportagem do M&E é o de Lucimar Reis, que ocupava a diretoria de Produtos Aéreos Lazer. Ela ingressou na empresa em 2018 após ter atuado por 20 anos na United Airlines. Orlando Palhares Filho, gerente-executivo de Produtos Marítimos, também deixou a empresa. O executivo tem 17 anos de CVC, tendo ingressado em 2003 após 10 anos de atuação na Costa Cruzeiros. Sueli Ruotolo, gerente executiva de Programação, Séries e Fretamentos Nacionais, fazia parte da equipe de Lucimar e também foi desligada.

 

Já na Trend o corte atingiu alguns supervisores de atendimento, função para qual já eram aguardadas demissões mesmo antes da pandemia. As principais saídas na Trend foram Fabiana Pires, gerente de atendimento com quase 20 anos de casa; e Amanda De Rousset, gerente do departamento de lazer.
 
Embora não confirme nomes e nem a quantidade de demissões, por meio de sua assessoria de imprensa, a CVC confirmou as mudanças. “A CVC Corp menciona que alguns ajustes foram realizados hoje em sua estrutura organizacional e que são decorrentes da recente reordenação e integração de áreas e negócios, conforme já noticiado, sendo que algumas posições deixam de existir, considerando a simplificação da sua estrutura e aumento de sinergia entre as áreas. A companhia está operando normalmente, com a retomada dos negócios de forma gradativa a partir deste mês, para embarques futuros em destinos domésticos, priorizando fornecedores e regiões que seguem protocolos de segurança”, diz a nota.
 
Cenário
 
Mesmo antes da pandemia, a CVC Corp já enfrentava uma crise interna, após anunciar erros contábeis referentes à contabilização de valores transferidos aos fornecedores de serviços turísticos. Inicialmente, a companhia previu um impacto de R$ 250 milhões referentes aos exercícios de 2015 a 2019. Nesta semana, porém, a CVC comunicou que este valor pode chegar a R$ 350 milhões, incluindo exercícios anteriores a 2015.
 
A empresa também comunicou que as perdas podem chegar perto dos R$ 600 milhões, incluindo cancelamentos, inadimplência, repatriações e pagamentos antecipados a fornecedores. Estes fatores, e os seguidos adiamentos na divulgação dos balanços de 2019 e do 1º trimestre de 2020, levara a agência de classificação de risco Standard & Poor’s rebaixar a classificação da CVC para brCCC-, com perspectiva negativa. A mesma agência havia concedido à companhia classificação AA no fim do ano passado.
 
Em meio a este cenário, a companhia passou por diversas mudanças em seu quadro executivo, incluindo a renúncia do CEO Luiz Fernando Fogaça, no fim de março, e a entrada do novo CEO, Leonel Andrade. Outras mudanças importantes foram as saídas de Maurício Favoretto, da Trend, Beto Santos, da Esferatur e Carla Gama, da Experimento.
 
Luciano Guimarães, que já era diretor geral da RexturAdvance, passou a acumular também o comando da Trend, Visual e da Esferatur – as quatro empresas B2B da CVC Corp. Da mesma forma, Emerson Belan assumiu o comando das unidades B2C: CVC, CVC.com e Experimento.
 
Aumento de capital 
 
Na madrugada desta sexta-feira (10), a CVC Corp anunciou o aumento de capital, mediante emissão de até 23,5 milhões de ações ordinárias a um valor de R$ 12,84 por ação. O valor representa um desconto de 33,5% em relação à cotação de fechamento na quinta (9), de R$ 19,30. A capitalização pode chegar a aproximadamente 302 milhões.
 
Nos documentos apresentados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a CVC Corp informou que os recursos serão utilizados para reforçar o caixa e viabilizar a retomada da venda de passagens e pacotes de viagem a prazo, que representa 85% das vendas. O dinheiro também garantirá o enfrentamento da crise a curto prazo.
 
As demissões e a reestruturação  também soam como uma resposta ao mercado após o aumento de capital aprovado pelo conselho.
 
 
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