Amazonas - Bloqueio da BR-317 ameaça abastecimento de gás e gasolina em Boca do Acre
BOCA DO ACRE - O prefeito de Boca do Acre, a 1.028 quilômetros a sudoeste de Manaus, Iran Lima, afirmou que a cidade vai ficar desabastecida de combustível e gás de cozinha nos próximos dias.
Segundo Lima, o motivo para a falta dos produtos no município é o protesto de pequenos agricultores e caminhoneiros no quilômetro 10 da BR-317, que liga o Acre ao Amazonas, contra a falta de infra-estrutura na estrada.
“O estoque de remédios da secretaria de saúde também vai ficar comprometido se o bloqueio da estrada não terminar”, afirmou. O protesto já dura cinco dias.
De acordo com o prefeito, existem dois postos de gasolina cidade e os dois já estão sem o produto para vender. Ele disse, também, que as distribuidoras de gás comunicaram que têm gás de cozinha para abastecer a cidade somente por mais três dias.
Ajuda
A rodovia liga o município a Rio Branco, capital do Acre, de onde são levados o gás de cozinha, o combustível e os remédios para Boca do Acre. O prefeito esclareceu que a distância entre as duas cidades é de 200 quilômetros e que, metade da estrada, em território acreano, está toda pavimentada.
“O protesto é legítimo porque na parte da estrada que fica no Amazonas não está sendo feita nenhuma obra”, destacou. Lima relatou que esteve no local na tarde de ontem e conversou com os manifestantes. Segundo o prefeito, eles afirmaram que vão encerrar o protesto somente quando as obras na estrada forem iniciadas.
A assessoria de comunicação do Ministério dos Transportes, em Brasília, informou, na última segunda-feira (02), que não sabe quando a rodovia será restaurada. Segundo as informações, as obras dependem de um estudo de impacto ambiental, que não está pronto.
Aeroporto
Depois que a BR-317 foi fechada pelos manifestantes, o acesso a Boca do Acre também foi comprometido por via aérea. O prefeito relatou que o aeroporto fica no KM-14 da rodovia e nenhum carro passa pelo bloqueio. Ele explicou que somente pedestres estão passando pelo local, por isso as pessoas que utilizam transporte aéreo estão com dificuldades para chegar até a zona urbana da cidade.
O comandante da Polícia Militar em Boca do Acre, capitão Fabiano Bó, informou que, apesar do rigor dos manifestantes, ainda não foi registrada nenhuma atitude violenta no protesto. O capitão afirmou que as pessoas responsáveis pelo protesto analisam cada caso para concederem autorização para a passagem.
“Só está passando ambulâncias com doentes e ninguém mais”, disse. Segundo o Fabiano, a população de Boca do Acre não foi surpreendida pelo fechamento da estrada porque o ato foi divulgado com bastante antecedência.