MAIS SECO DO ANO: Rondônia prepara ações de emergência para seca prolongada em dezembro e janeiro

Porto Velho já decretou emergência e mapeou milhares de famílias afetadas pela estiagem

MAIS SECO DO ANO: Rondônia prepara ações de emergência para seca prolongada em dezembro e janeiro

Foto: Secom/PMPV/SecomGOVBR/Reprodução

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A previsão de chuvas abaixo da média em dezembro de 2026 mantém Rondônia em alerta para o prolongamento da seca, mesmo com a chegada do período tradicionalmente mais chuvoso na Amazônia.
 
A atuação de um El Niño de forte intensidade pode reduzir a regularidade das precipitações, atrasar a recuperação dos rios e ampliar os riscos para comunidades ribeirinhas, abastecimento de água, navegação e ocorrência de queimadas.
 
O cenário preocupa especialmente na bacia do rio Madeira, onde a estiagem já provocou impactos em Porto Velho e em localidades rurais e ribeirinhas.
 
A prefeitura da capital decretou situação de emergência em razão da seca e iniciou ações de assistência às comunidades atingidas. 
 
 
 
 
O alerta consta do quinto boletim do Painel El Niño, divulgado em 29 de outubro por instituições federais.
 
A previsão para o trimestre de novembro de 2026 a janeiro de 2027 indica maior probabilidade de chuvas abaixo da média em grande parte da Região Norte e temperaturas acima do normal.
 
O fenômeno deve permanecer com intensidade forte a muito forte até, pelo menos, o primeiro trimestre de 2027. 
 
 
Porto Velho tem 7,4 mil famílias afetadas
 
Na capital, a resposta à estiagem já foi formalizada pelo Decreto Municipal nº 22.515, de 1º de outubro, que declarou situação de emergência de nível II nas áreas atingidas do Alto, Médio e Baixo Madeira, com validade de 180 dias.
 
 
 
O levantamento da prefeitura identificou 7.442 famílias, aproximadamente 22.962 pessoas, afetadas em 85 localidades rurais, ribeirinhas e indígenas, incluindo 517 pessoas distribuídas em cinco aldeias.
 
Entre as medidas previstas estão o fornecimento de água potável por caminhões-pipa e embarcações, entrega de reservatórios, distribuição de alimentos e assistência social. 
 
A prefeitura também mantém a operação S.O.S. Estiagem, com equipes que atuam por rotas terrestres e fluviais.
 
Segundo a administração municipal, comunidades do Baixo Madeira já receberam água potável e cestas básicas, enquanto o levantamento das necessidades continua. 
 
Outra frente é uma campanha de conscientização sobre economia de água, prevenção de incêndios e mobilização de ajuda humanitária.
 
A orientação inclui evitar desperdício, não utilizar fogo para eliminar resíduos e proteger rios e nascentes.
 
 
Estado atua no monitoramento e combate às queimadas
 
No âmbito estadual, as ações identificadas envolvem monitoramento ambiental, prevenção de incêndios florestais e proteção da qualidade da água.
 
A Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam) acompanha focos de calor, deslocamento de fumaça e áreas de maior risco por meio dos sistemas GeoPortal e Protege.
 
As informações são utilizadas para orientar ações de fiscalização e combate aos incêndios.
 
 
O Corpo de Bombeiros Militar coordena a Operação Verde Rondônia 2026, com bases descentralizadas em regiões consideradas prioritárias.
 
Conforme balanço divulgado em setembro, a operação contava com efetivo diário de 240 profissionais e registrava 39.173 ações preventivas, 1.781 ocorrências de fogo enfrentadas e 383 averiguações. 
 
Na área da saúde, a Agência Estadual de Vigilância em Saúde (Agevisa) intensificou o monitoramento da qualidade da água nos 52 municípios.
 
O programa Vigiágua acompanha sistemas públicos e fontes alternativas de abastecimento.
 
O governo estadual informou que, ao longo de 2026, foram distribuídos ou aplicados 717 mil frascos de hipoclorito de sódio para auxiliar na purificação doméstica da água. 
 
 
Preparação ainda exige atenção à prevenção estrutural
 
Apesar das medidas anunciadas, a previsão de chuvas abaixo da média mantém a necessidade de ampliar o planejamento para dezembro e os primeiros meses de 2027.
 
O atendimento emergencial às famílias é indispensável, mas não substitui políticas permanentes de segurança hídrica, recuperação de nascentes, proteção de mananciais e prevenção de incêndios.
 
 
Também permanece o desafio de enfrentar as causas que agravam a vulnerabilidade ambiental, como desmatamento ilegal, ocupação de áreas protegidas e queimadas.
 
O monitoramento do Ministério Público de Rondônia inclui a fiscalização das ações ambientais e a proteção de unidades de conservação estaduais. 
 
Outro dado importante: os R$ 68,6 milhões anunciados pelo governo federal em outubro para ações contra incêndios e estiagem na Região Norte foram destinados ao Amazonas, Pará e Acre.
 
Rondônia não aparece entre os estados contemplados nesse repasse específico.
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