ABATE NO AR: Equipamento de ponta prepara pilotos para missões reais

Operações de emergência na Amazônia podem ocorrer em tempo recorde

ABATE NO AR: Equipamento de ponta prepara pilotos para missões reais

Foto: Divulgação

Passava das 18h quando o COMAE (Comando Militar Aéreo), em Brasília, acionou miliares de Porto Velho para interceptar uma aeronave desconhecida, vinda da Bolívia, que entrou no espaço aéreo brasileiro sem autorização. Em questão de minutos, uma equipe do esquadrão Grifo, de Rondônia, decolou da base aérea da capital e se juntou a outras duas aeronaves que já faziam cerco ao “ avião intruso”. 
 
A interceptação aconteceu no norte do Mato Grosso sendo que a abordagem foi feita por duas aeronaves de defesa aérea A-29 e um avião radar E-99.
 
 
Os pilotos seguiram o protocolo das medidas de policiamento do espaço aéreo brasileiro, interrogando o piloto da aeronave intrusa, mas não obtiveram resposta. A aeronave foi classificada como suspeita e os pilotos ordenaram mudança de rota e pouso imediato.
 
O piloto do avião interceptado não obedeceu e foi dado um tiro de aviso. Nem assim a ordem foi cumprida e a aeronave acabou sendo abatida, vindo a fazer um pouso de emergência em uma fazenda ainda no estado do Mato grosso.
 
 
A Polícia Federal que acompanhava o trabalho não conseguiu prender o piloto do avião desconhecido. Ele fugiu do local e abandonou o avião com mais de 200 quilos de cloridrato de cocaína.
 
ALA 6
 
Essa situação é apenas uma entre muitas que envolvem os militares da Base Aérea de Porto Velho que fazem parte do Esquadrão Grifo. O nome é uma referência a mitologia e representa a águia no ar e o leão na terra, sugerindo eficiência e força.
 
 
O grupamento é de elite e vigia a Amazônia 24 horas por dia, além de desenvolver operações de segurança, socorro e auxilio social e comunitário.
 
A ALA 6 é uma unidade militar da Força Aérea Brasileira formada por vários grupos aéreos que atendem demandas específicas de missões. O uso frequente do avião Caça A-29 é o que mais destaca o esquadrão, justamente pelo poder de fogo que pode exercer. 
 
 
A aeronave tem uma aerodinâmica diferente dos caças conhecidos da população como o supersônico F-5, por exemplo. No entanto, sua operacionalidade permite chegar a uma altitude de 12 mil metros, o mesmo que um Boing, e alcançar velocidade de até 530 km por hora.
 
Além de ações operacionais que exigem o uso dos caças, os militares contam com uma ajuda eficiente e barata para avaliar seus movimentos nas missões aéreas. 
 
 
O simulador aéreo de última geração é um aliado na qualificação e destreza dos pilotos. Ele representa fielmente o painel de comando do A-29 o que ajuda a avaliar a capacidade, resistência e reflexo dos pilotos.
 
Com a ajuda do simulador também é possível “ lançar mísseis, foguetes e fazer disparos” avaliando a precisão das ações. Uma das maiores vantagens do sistema é a possibilidade do erro. “ No simulador, o militar consegue refazer uma manobra errada e procurar a perfeição sem correr riscos”, explica o coronel Lucas, comandante da ALA6.
 
 
Perigo
 
Na verdade, os possíveis erros cometidos no simulador são todos planejados. O piloto senta no equipamento e controla ele como se fosse um Caça, no entanto um instrutor é que define o andamento do voo. Ele pode criar situações de perigo, como pane mecânica, elétrica, falha no motor ou até mesmo ataque inimigo.
 
 
Cabe ao piloto executar o procedimento adequado para a situação que surgir. Se o problema não é resolvido, o militar tem até a possibilidade de se ejetar do avião caso não seja mais possível controlar a aeronave. O simulador funciona 12 horas por dia. Praticamente seria impossível executar treinamento diário real com meio dia de horas de voo.
 
Segundo os militares, o simulador além de ser preciso e preparar os pilotos adequadamente, proporciona uma economia exorbitante em gastos com combustível. Em Porto Velho, a ALA 6 tem sempre um A-29 de plantão para qualquer emergência.
 
Paixão
 
Quando produzimos essa reportagem, levamos até o simulador um desses apaixonados por aviação que sabem, pelo menos na teoria, tanto quanto os militares da Força Aérea.
 
Viktor Navorsky é especialista em gestão de marcas e desde criança se interessa por aviação. Quando criança brincava de construir aviões no quintal de casa.
 
Viktor passava horas fingindo que era piloto. Conforme o tempo foi passando e a tecnologia evoluindo, a brincadeira de criança deu espaço a um hobbie um pouco mais elaborado e acabou surgindo o fascínio por simuladores.
 
Ainda numa época em que computadores não eram tão potentes, ele se aventurava já dentro de um cenário virtual de simulação. Passava bons tempos estudando e se informando sobre o assunto.
 
 
Viktor foi comigo até a ALA 6 conhecer o simulador que os militares usam em Rondônia e ficou impressionado. Aliás, em alguns momentos ele conversou com o comandante da unidade, coronel Lucas, e os pilotos major André e tenente Martins, usando linguagem própria de quem realmente conhece aviação.
 
Os militares elogiaram o conhecimento do rapaz. Ao sentar no simulador e “fazer um voo sobre Porto Velho”, Viktor parecia hipnotizado. Não sabia se executava manobras ou se curtia a sensação de estar “dentro de um A-29”.   
 
 
Em casa, ele brinca no simulador que montou que lhe dá sensação real de estar voando. Viktor explica que é um passatempo e hobbie que garantem muitas horas de relaxamento e diversão.
 
Sobre a experiência de pilotar o A-29, no simulador que é usado por pilotos reais afirma que é indescritível. “Para mim que não tenho formação nem background técnico, conhecer todo aparato que eles tem à disposição só aumenta ainda minha admiração por estes profissionais.
 
A experiência é bem real, e por se tratar de um equipamento de ponta, a sensação é mesmo de estar pilotando um avião real, inclusive alguns esforços de controle são bem desafiadores para quem não tem prática com a aeronave real”, finaliza.
 
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