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CHEIA – Sem acesso distrito rondoniense está a beira do caos

Os protestos estão ganhando força e adesão da população que mora em localidades próximas afetadas pelo isolamento trazido pela cheia do rio Madeiral. Além da comunidade de Nova Dimensão, moradores dos municípios de Guajará Mirim e Nova Mamoré, além da com

Da Redação

10 de Março de 2014 às 15:16

Foto: Divulgação

Protestos são pacíficos, mas situação pode complicar a qualquer momento.

Quase um mês após a cheia histórica que persiste em manter-se no rio Madeira, cerca de 400 agricultores e 100 indígenas que vivem no pequeno distrito de Nova Dimensão reclamam que estão sem acesso a mantimentos, transportes, remédios, combustíveis, além de um inesperado surto de desemprego que surgiu com demissões em massa na região, fatos esses que deixaram o distrito rondoniense a beira do caos.

O MPF proibiu a abertura de uma nova rota que passaria por uma reserva natural. De acordo com a comunidade são apenas 11,5 km que passariam por dentro da área e não afetaria a região.

Caso aberta, a estrada dará acesso a BR 364 até o município de Ariquemes, resolvendo ao menos temporariamente o problema de acessibilidade do distrito. Porém, a recusa da justiça em liberar a abertura da estrada provisória, vem deixando os moradores revoltados.

Em protesto, a comunidade serrou e destruiu pontes na região para inviabilizar os acessos na área. As linhas estão interrompidas desde a última quinta-feira (6) por manifestantes moradores que exigem abertura da estrada que passa pela reserva ambiental.

A RO-421 que diante das crises de enchentes em Rondônia se transformou na única rota utilizada para os acessos no transporte de mercadorias até o município de Guajará Mirim e para a Bolívia, também está bloqueada pelos manifestantes.

Os protestos estão ganhando força e adesão da população que mora em localidades próximas afetadas pelo isolamento trazido pela cheia do rio Madeiral. Além da comunidade de Nova Dimensão, moradores dos municípios de Guajará Mirim e Nova Mamoré, além da comunidade indígena local estão participando do protesto.

Os índios também exigem a abertura dessa rota alternativa e reclamam da falta de medicamentos, gasolina para suas canoas e voadeiras e até mesmo a falta de assistência por parte da FUNAI.

No último dia 07 de março, dois ônibus com mais de 100 indígenas chegaram ao local para apoiar o movimento. Eles também se dizem prejudicados com a falta de mantimentos.

“Estamos sem alimentos, remédios e a falta de combustíveis para canoas e motor de popa”, diz o cacique de uma comunidade indígena na Linha 14, próximo à Nova

Índios chegam para protestos, muitas crianças acompanham a diligencia indígena.

Dimensão, Isaias Oro Waran.

As manifestações são pacificas, mas os ânimos já estão exaltados após a negativa da Justiça Federal. De acordo com a população de Nova Dimensão, os prejuízos são grandiosos devido a falta de possibilidade de envio de produtos e acesso à mercadorias. 

“A população de Nova Dimensão e regiões a cada dia fica mais isolada estamos esperando a ação do Governo e da Justiça Federal, caso nada seja resolvido a população vai abrir a estrada com recursos próprios e apoio de toda a comunidade”, garantiu uma moradora que por motivos de segurança preferiu não se identificar.

Na região que reúne várias comunidades moram cerca de vinte mil pessoas, tudo está escasso, a comunidade está ficando sem comida, remédio, combustíveis, empresas estão fechando devido a crise de acesso na região, as madeireiras estão fechadas e demitindo seus empregados por não terem condições de transportarem seus produtos.

Um laticínio existente no local também está com mais 100 mil litros de leite estocado e sem poder transportar. A estrada está fechada desde o dia 06 de março quinta-feira, e só vai ser reaberta quando a Justiça Federal autorizar  o manejo das máquinas para a construção da estrada.

Lideranças comunitárias e vereadores de Nova Mamoré e Guajará-Mirim estiveram no local dos protestos para apoiar as manifestações e declararam que estão ilhados desde o mês fevereiro, quando foi decretado o estado de emergência nas cidades.

A população de Nova Dimensão e as lideranças do movimento de protestos na estrada também denunciaram os abusos de preços que estão sendo praticados na região, com o problema de acesso, os preços subiram muito e a gasolina, por exemplo, chega a custar R$ 5 o litro. O preço do gás de cozinha subiu 100%.

A energia do distrito de Nova Dimensão é desligada diariamente para que os comércios fechem as suas portas e a população local deixem suas casas e vão para o ponto de concentração dos protestos na estrada 421.

Direito ao esquecimento

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