POLÊMICA: Livro infantil que mostra crianças em navio negreiro é retirado do mercado

“Lamentamos profundamente que esse ou qualquer conteúdo publicado pela editora tenha causado dor e/ou constrangimento aos leitores ou leitoras", disse em nota a Companhia das Letras sobre o livro Abecê da Liberdade

POLÊMICA: Livro infantil que mostra crianças em navio negreiro é retirado do mercado

Foto: Divulgação

A Companhia das Letras se manifestou em nota com um pedido de desculpas no sábado (11/9), sobre a repercussão do livro infantil Abecê da Liberdade. A obra conta a história do abolicionista Luiz Gama, mas narra em primeira pessoa relatos de diversos momentos supostamente vividos por Gama durante a escravização na infância, como se não se tratasse de uma vivência traumática e amedrontadora, usando tons de ironia.
 
“Lamentamos profundamente que esse ou qualquer conteúdo publicado pela editora tenha causado dor e/ou constrangimento aos leitores ou leitoras. Assumimos nossa falha no processo de reimpressão do livro, que foi feito automaticamente e sem uma releitura interna, e estamos em conversa com os autores para a necessária e ampla revisão”, diz um trecho da nota, que também afirma que a edição já está fora de mercado e não voltará a ser comercializada.
 
A obra é de autoria de José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta, com ilustrações de Edu Oliveira. A reimpressão foi publicada em 2020, sem alterações, e foram vendidas cerca de duas mil cópias em todo o Brasil. Mas, o livro foi lançado originalmente em 2015 pelo selo Alfaguara da Editora Objetiva, e automaticamente incorporado ao catálogo da Companhia das Letrinhas quando a Objetiva foi adquirida pelo grupo.
 
Em um trecho específico, o narrador conta em primeira pessoa como teria sido a viagem de Gama em um navio negreiro da África até a América quando criança, descrevendo brincadeiras como se os personagens estivessem em um ambiente leve. No entanto, se tratava de um espaço insalubre, com condições precárias e muitas mortes pelo caminho, não um local para brincadeiras lúdicas. 
 
“Eu, a Getulina e as outras crianças estávamos tristes no começo, mas depois fomos conversando, daí passamos a brincar de pega-pega, esconde-esconde, escravos de Jó (o que é bem engraçado, porque nós éramos escravos de verdade), e até pulamos corda, ou melhor, corrente”, diz o trecho, que também traz uma ilustração das crianças brincando.
 
Em entrevista ao portal UOL, Marcus Aurelius Pimenta explicou que a produção do livro não foi acompanhada por nenhum especialista ou autor negro. Já Torero afirma que o livro é um romance histórico para crianças, uma obra de ficção, onde não há a busca de exatidão histórica.
Direito ao esquecimento

MAIS NOTÍCIAS

Por Editoria

PRIMEIRA PÁGINA

ROVIVO TV

DESTAQUES EMPRESARIAIS

PUBLICAÇÕES LEGAIS

COLUNAS