A bióloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Tatiana Sampaio, afirmou que o estudo clínico envolvendo a polilaminina avançou sem apoio da indústria farmacêutica. Segundo a pesquisadora, a maior dificuldade da investigação foi justamente viabilizar um ensaio clínico, etapa que normalmente depende de financiamento e estrutura de grandes empresas do setor.
Diante da falta de parceria, a equipe decidiu conduzir um estudo acadêmico dentro da própria universidade. A decisão foi considerada incomum, já que o tratamento envolve uma droga inédita aplicada por injeção intramedular — procedimento complexo e que exige alto nível de controle médico.
Mesmo sem patrocinador, os pesquisadores optaram por realizar o estudo em pacientes em estado crítico. “Foi com pouco dinheiro e muito amor”, relatou a cientista ao descrever o esforço da equipe, que contou com a participação voluntária de diversos profissionais envolvidos na pesquisa.
Tatiana Sampaio lidera a investigação sobre a polilaminina, uma molécula sintética inspirada na laminina, proteína natural presente no organismo humano. O composto funciona como uma espécie de “andaime biológico”, capaz de estimular a regeneração de axônios e favorecer a reconexão de fibras nervosas após lesões na medula espinhal.
A tecnologia tem potencial aplicação em casos graves, como paraplegia e tetraplegia, condições que resultam da interrupção das conexões nervosas na medula. Apesar dos resultados considerados promissores nas fases iniciais da pesquisa, a própria cientista ressalta que os estudos ainda estão em processo de avaliação científica para confirmar segurança e eficácia do tratamento.
Segundo os pesquisadores, novas etapas de testes clínicos ainda serão necessárias antes que a terapia possa ser considerada para uso mais amplo em pacientes.