O aumento de casos de câncer em adultos com menos de 50 anos colocou a oncofertilidade no centro das discussões do congresso da Sociedade Americana de Reprodução Assistida (ASRM). No Brasil, os diagnósticos nessa faixa etária cresceram 284% entre 2013 e 2024, passando de 45,5 mil para 174,9 mil casos anuais. Para especialistas, o avanço torna urgente orientar pacientes sobre opções de preservação reprodutiva.
O ginecologista e especialista em reprodução humana Dr. Alfonso Massaguer destaca que o congelamento de óvulos e embriões é frequentemente negligenciado, mas essencial para quem inicia tratamentos como quimioterapia e radioterapia. Com a vitrificação, a técnica tornou-se mais eficiente e rápida, levando cerca de duas semanas sem atrasar o tratamento oncológico.
Segundo Massaguer, mulheres engravidam cada vez mais tarde, e muitos pacientes jovens ainda não formaram família ao receber o diagnóstico. O congelamento de óvulos oferece não apenas chance futura de gravidez, mas também “perspectiva e força emocional”.
Apesar dos benefícios, especialistas alertam para expectativas irreais: o número de óvulos congelados não garante o mesmo número de bebês. O tema integrou debates do ASRM ao lado de assuntos como infertilidade masculina, endometriose e perda gestacional. Para os médicos, preservar a fertilidade deve ser parte do protocolo inicial após o diagnóstico de câncer, garantindo que o tratamento não elimine o sonho de formar uma família.