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ESCAPOU: 'Vivi com um homem que depois descobri ser um serial killer', diz brasileiro

Analista de sistemas de São Paulo descobriu pela internet que ex está preso no Reino Unido por estuprar e matar jovens com quem mantinha relações

CORREIO BRAZILIENSE

26 de Agosto de 2020 às 16:41

Foto: Divulgação

 

CORREIO BRAZILIENSE - Aos 19 anos, Rafael Alves da Silva vivia um sonho comum a muitos jovens. Tentando a vida na Europa e fazendo curso de programação, conheceu muita gente que marcou sua vida. Um deles marcou de tal forma que, certo dia, sete anos depois, já de volta ao Brasil e namorando, ficou na curiosidade de saber o que andava aprontando o ex.

Foi por não aguentar a dúvida que lançou o nome do "ex", Stephen Port, no Facebook. Nos resultados, inúmeras reportagens sobre documentários envolvendo o nome do antigo romance apareciam. No primeiro momento, achou incrível que ele estava se envolvendo em projetos tão grandiosos, talvez como roteirista. Alguns minutos depois, o descobriu como centro dos filmes, não produtor.

 
Stephen Port ficou conhecido no Reino Unido como "o assassino do Grindr", menção a aplicativo que promove encontros sexuais bastante utilizado no universo gay. Ele foi preso acusado de quatro assassinatos de jovens com quem se relacionava, dopava pra ter relações sexuais e eventualmente induzia à overdose. Hoje, cumpre prisão perpétua em Thamesmead, no sul da Inglaterra.
 
"No começo, não acreditei muito. A foto que aparecia, ele estava muito mais velho, imaginei que era apenas alguém com o mesmo nome. Mas as reportagens mostravam a casa dele, a vizinhança, foi quando tomei o susto e percebi que era ele. Nesse dia, não consegui trabalhar, fiquei angustiado, fiquei bem chocado", resume o analista de sistemas.
 
A relação
 
Era agosto de 2012 quando Rafael encontrou Stephen num site de relacionamentos. "Ele mentia a idade, usava peruca, muita maquiagem. Dizia ter 25 anos. Fui de metrô até uma estação e fomos andando até a casa dele (em Barking, Londres). Saímos algumas vezes e moramos juntos por um mês", conta.
 
"Ele gostava de videogame, a gente saía bastante, o que eu não fazia até então. A gente se divertia junto, era um bom companheiro. Mas fui percebendo que não gostava dele, por isso a relação acabou", completa.
 
É bem sabido que não há como julgar crime pelo rosto e o rapaz, claro, nunca desconfiou de qualquer intenção criminosa de Port. Hoje, aos 28 anos, olhando para trás, diz que não foi capaz de perceber nada, mas que havia sinais de alerta que acabou ignorando.
 
"Ele era estranho, mas eu nunca achei que ele fosse capaz de matar alguém, de cometer um crime, muito menos que drogava as pessoas. Eu vivenciei algumas coisas estranhas quando a gente estava junto. Não lembro se ele fez algo comigo", conta. Lembra, no entanto, que voltou ao apartamento para buscar o passaporte, esquecido na residência de Stephen, localizada em Barking, no leste londrino e viu algo que só depois passou a atormentá-lo.
 
"Quando eu cheguei, dias depois de terminarmos e ele me mandar mensagem avisando do passaporte, outra pessoa atendeu a porta. Entrei no apartamento e vi um rapaz, bem jovem, jogado na cama, numa posição estranha. Não sei se estava drogado, mas provavelmente sim, porque apesar dos crimes começarem anos depois, ele já mexia com drogas e, pelas matérias, prostituía alguns rapazes com que se relacionava", conta. Pelos registros oficiais, até onde se sabe, Stephen Port cometeu quatro crimes, iniciados apenas em 2014, dois anos após o fim do relacionamento com o brasileiro.
 
Repercussão
 
Rafael chamou atenção com sua história ao contar o caso a Fábio Porchat, no canal GNT nesta quarta-feira (25/8). "Hoje eu consigo falar rindo porque já passou há muito tempo. O que mudou em mim é que sou mais cauteloso, mas isso está bem resolvido. Às vezes, nem me lembro que aconteceu", conta, dizendo esperar que compartilhar essa história sirva para que mais pessoas tomem cuidado.
 
A participação do jovem, no "Que história é essa, Porchat?" já foi, inclusive, acrescentada na biografia de Port na Wikipedia internacional.
 
 
Direito ao esquecimento

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