Com a aproximação das eleições de outubro, as apostas para definir o novo ocupante do CPA (Centro Político Administrativo) ganham força. O histórico político de Rondônia revela um padrão claro: o governo do estado é, preferencialmente, o destino final de gestores municipais que se destacaram em suas bases.
O Peso do Currículo Municipal
Nas últimas décadas, os prefeitos foram figuras centrais nas disputas, mesmo quando não saíram vitoriosos. Das eleições realizadas desde a redemocratização, em sete ocasiões o vencedor foi um ex-prefeito:
1986: Jerônimo Santana (Porto Velho)
1994: Valdir Raupp (Rolim de Moura)
1998: José Bianco (Ji-Paraná)
2002 e 2006: Ivo Cassol (Rolim de Moura)
2010 e 2014: Confúcio Moura (Ariquemes)
As Exceções e os Fenômenos "Fora da Curva"
Apenas eventos extraordinários conseguiram romper essa lógica. Em 1990, o assassinato do senador Olavo Pires alterou drasticamente o cenário, levando Oswaldo Piana à vitória sobre ex-prefeito Valdir Raupp, que era o favorito nas pesquisas.
Já em 2018, a "onda bolsonarista" atropelou o pragmatismo local, catapultando o Coronel Marcos Rocha ao governo e deixando de fora da final o ex-prefeito de Ministro Andreazza e então deputado, Maurão de Carvalho.
Em 2022, o cenário foi atípico, com os ex-prefeitos perdendo protagonismo, exceto por Léo Moraes, que carregava o recall de ter disputado o segundo turno na capital em 2016, hoje o mandatário da prefeitura da capital.
O Cenário para 2026: O Retorno das Origens
Para o próximo pleito, a política rondoniense parece retomar sua vocação original. Três nomes de peso, com canetas municipais na mão, já se posicionam no tabuleiro:
Hildon Chaves (Porto Velho): Tenta converter a aprovação na capital em força estadual.
Adailton Fúria (Cacoal): O carisma popular e juventude associada ao sucesso politico na busca do eleitor.
Delegado Flori (Vilhena): Romper as fronteiras de sua base regional e buscar capilaridade em outras regiões do estado.
Historicamente, os grandes duelos pelo Governo de Rondônia foram travados entre ex-prefeitos de peso, como vimos nos embates de 1998 (Raupp vs. Bianco) e 2002 (Bianco vs. Cassol). No entanto, o cenário que se desenha para 2026 é sem precedentes: pela primeira vez na história política do estado, poderemos ter três ex-prefeitos com musculatura eleitoral disputando simultaneamente o Palácio Rio Madeira, representando as principais forças regionais do estado.
Podem se acomodar, organizar as fichas e dar início às apostas. Se nenhum 'penetra' surgir para bagunçar o tabuleiro, o próximo governador de Rondônia sairá, inevitavelmente, deste trio.