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Convocação oportuna da jovem advocacia - Por Andrey Cavalcante

Por Andrey Cavalcante

Por Andrey Cavalcante

21 de Agosto de 2020 às 11:42

Não há, obviamente, como desconsiderar o grande significado e imperioso reconhecimento do permanente aprendizado que resulta da convivência, no âmbito da OAB, com advogados mais experimentados na profissão. Confiro a isso o mesmo e elevado grau de importância da orientação naturalmente recebida no convívio familiar. É aquilo que Umberto Eco, define, de forma inequívoca, em O Pêndulo de Foucault: "Acredito que aquilo em que nos transformamos depende do que nossos pais nos ensinam em pequenos momentos, quando não estão tentando nos ensinar coisa alguma. Somos feitos de pequenos fragmentos de sabedoria." Mas, mesmo assim, não há como deixar de comemorar a aprovação da mudança do Provimento nº 115/2007, para permitir que a Comissão Nacional da Advocacia Jovem seja comandada por um dos presidentes das Comissões da Jovem Advocacia das Seccionais.
 
A aprovação, pelo Conselho Pleno da OAB, da proposição apresentada pela atualpresidente da Comissão Nacional da Advocacia Jovem da OAB, Daniela Teixeira, estabelece que os próximos ocupantes do cargo sejam escolhidos, por deliberação do presidente da OAB Nacional, dentre os presidentes das comissões nas seccionais. É um avanço institucional considerável, que abre caminho para outras conquistas da jovem advocacia brasileira. Especialmente por valorizar o surgimento de novas lideranças, no que a Ordem dos Advogados é uma verdadeira incubadora, a abastecer o país com talentos altamente qualificados, não apenas para o ambiente jurisdicional, mas para toda uma diversidade de setores da sociedade civil. Tanto maior, por isso mesmo, o significado da decisão do Conselho Pleno da OAB. De capacitação e talento a jovem advocacia brasileira já dispõe à sobeja. A Ordem acaba de incorporar motivação.
 
Daniela Teixeira observa que “os advogados jovens têm organização, autonomia, dedicação e devem falar pela própria voz. Não precisam de tutores, não necessitam que um conselheiro federal fale por eles. Por mais que eu tenha total sensibilidade à causa, por mais que eu me sinta jovem no exercício da função, não sou genuinamente uma jovem advogada. É o próprio sentimento deles, sobre o que se passa no meio específico da jovem advocacia, que deve ser falado. Espero ser a última presidente na condição de usurpadora da voz da juventude”.
 
Está de parabéns. Pela vitória e pelo imenso significado da iniciativa. Parabenizo igualmente, pela conquista, o presidente Danilo Henrique Alencar Maia e todos os demais integrantes da Comissão da Jovem Advocacia da OAB Rondônia, da qual muito me orgulha a condição de primeiro presidente. Parabéns também aos conselheiros federais pela unanimidade do apoio à iniciativa e por levarem ao Conselho Federal a voz da unidade de uma advocacia essencialmente jovem. Comemoramos, afinal, em fevereiro, 46 anos de instalação da seccional rondoniense, reconhecida e respeitada nacionalmente por sua representação. A posição de nossos conselheiros federais foi mais uma cabal demonstração de absoluta coerência em relação a uma das mais jovens unidades da Federação.
 
A medida mereceu também aplausos do presidente nacional da Ordem, Felipe Santa Cruz, para quem a aprovação da proposição marca um dia histórico para todo o sistema OAB. “Não há outro caminho possível a não ser incluir a juventude na vida da Ordem. É nosso dever garantir várias gerações futuras de líderes em nossa instituição exatamente através da igualdade e da representatividade, cuidando dessa parcela de profissionais tão brilhantes que mostra uma enorme vontade em compor nossos quadros e muito zelo com as questões da profissão”. 
 
Lembro-me de ter afirmado certa vez aqui que é preciso decisão e atitude para optar por linhas de ação concretas, passar para a outra margem. Para isso são fundamentalmente necessárias coragem e audácia. Como antídoto contra o medo. Vive-se, hoje, num mundo amordaçado pela cultura do medo. Um mundo permanentemente assombrado por uma miríade de medos, não apenas da Covid-19. É aterrorizante, por exemplo, a implacabilidade demolidora das redes sociais, capazes de trucidar, com a agressividade, leviandade e fakes que por elas trafegam com desenvoltura insuportável, biografias construídas ao longo de toda uma existência. A arma que nos capacita ao necessário enfrentamento dessa criminosa realidade está exatamente na força, no destemor, na competência, criatividade e perseverança dos jovens advogados, espalhados por todo o país. A OAB acerta ao convoca-los.
Direito ao esquecimento

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