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GRUPO LATAM: 'Sem ajuda, o setor aéreo não vai sobreviver', diz Jerome Cadier

O CEO da Latam no Brasil garante que pedido de recuperação, nos Estados Unidos, do grupo e algumas afiliadas, não afeta operações no país, mas crise impõe socorro às empresas

CORREIO BRAZILIENSE

26 de Maio de 2020 às 17:07

Atualizada em : 26 de Maio de 2020 às 17:30

Foto: Divulgação

 

CORREIO BRAZILIENSE - Após o anúncio de que o Grupo Latam e suas afiliadas no Chile, Peru, Colômbia, Equador e Estados Unidos pediu recuperação para iniciar um processo de reorganização financeira com base no Capítulo 11 da lei norte-americana, o CEO da companhia no Brasil, Jerome Cadier, garantiu, nesta terça-feira (26), que a medida não afeta as operações no país. Contudo, Cadier ressaltou que, sem ajuda, o setor aéreo não vai sobreviver. O executivo também explicou que o uso do Capítulo 11 da Lei dos Estados Unidos, mecanismo utilizado pelo Grupo Latam, é bastante diferente do pedido de recuperação judicial no Brasil. 
 
Cadier buscou tranquilizar o mercado. “Tenho falado para os colaboradores e parceiros de negócios que, no Brasil, a operação segue normal. Não muda praticamente nada. A empresa continua honrando as passagens, os pontos, as dívidas e os salários. Precisamos de tranquilidade para reestruturar o grupo”, disse. 
 
O presidente da Latam Brasil destacou que a demanda despencou a níveis nunca antes vistos. E que a recuperação, por conta disso, não será de curto prazo no setor aéreo. “Eu gostaria que a ajuda fosse maior, mas o tamanho do socorro depende da situação fiscal do governo. A capacidade de ajudar o setor é muito diferente nos Estados Unidos e na Europa. Aqui, não se consegue o mesmo apoio. Mas, independente do tamanho do socorro, sem ajuda do governo não tem solução. O setor aéreo não vai sobreviver”, ressaltou.
 
Para ajustar a sua dívida, o Grupo Latam vai reduzir a quantidade de aeronaves e o custo das operações. “E vai começar fazendo isso pelo Chile, onde estão firmados os contratos”, afirmou Jerome Cadier. 
 
Ele explicou que há uma diferença entre o pedido de recuperação judicial no Brasil e o uso do Capítulo 11 da lei norte-americana. “No Brasil, 90% das empresas que pedem recuperação judicial não saem. No Chapter (capítulo, em inglês) 11, conseguem sair. Nos EUA, é um processo conduzido por uma corte americana , cujo principal objetivo é colocar a empresa de volta”, disse.
 
Cadier lembrou do processo de recuperação judicial da Avianca, no ano passado, no Brasil. “A empresa não conseguia definir o que fazer com os aviões. Uma das primeiras coisas que o Chapter 11 permite é continuar voando com as aeronaves que precisar e entregar as demais. É um processo com mais transparência”, comparou. 
 
 
Ampliação em curso
 
A notícia da recuperação do Grupo Latam ocorreu logo depois de a companhia ter anunciado aumentar as operações no Brasil. “A ampliação segue em curso, mas é muito tímida porque estamos com operações muito pequenas, por isso percentualmente parece grande”, ponderou Cadier. “É mais uma aposta do que aumento nas vendas. Esperamos que a demanda volte na medida em que os voos estiverem disponíveis”, assinalou. Atualmente, a Latam está voando entre 5% a 6% do normal. A ideia é ampliar para 8% ou 9% em junho e entre 16% e 17% em julho. 
 
A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de fechar o país para brasileiros e para quem tenha passado pelo Brasil complica ainda mais a situação das companhias aéreas. “Definitivamente, não ajuda o fluxo dos Estados Unidos com Brasil, mas é uma paralisação pontual”, comentou o executivo. “Estávamos voando Guarulhos-Miami três vezes por semana e imaginávamos ampliar para cinco vezes em junho e sete, em julho. Agora, vamos suspender esses voos até essa decisão ser repensada”, disse.
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