Apesar de a Lei Eleitoral estabelecer o prazo de seis meses antes do pleito, para que ocupantes de cargos que pretendem concorrer às eleições de outubro deixem seus postos, é no mínimo original, a decisão do governador Ivo Cassol ao promover mudanças no seu secretariado.
Em passado não muito distante, era comum manterem-se em posições influentes pessoas que almejam chegar a um posto eletivo. Não são escassos, porém, os riscos administrativos que isso representava para os cofres públicos.
São abundantes e variados, também, os exemplos negativos dessa conduta nefanda, que acabava comprometendo os bons propósitos de administrações bem-sucedidas e de administradores tidos como probos e bem-intencionados.
Hoje, a situação é completamente diferente. Somente o presidente da República, os governadores, os Prefeitos e seus eventuais substitutos no curso dos mandatos, poderão ser reeleitos sem precisar desincompatibilizar-se do cargo. Isso, evidentemente, se pretenderem concorrer ao mesmo posto.
À tentação a que poucos não sucumbiram de tratar as verbas públicas como parte de seu patrimônio, somavam-se outros riscos que o dirigente precisava eliminar antes que ocorressem e o obrigassem a desviar suas atenções dos problemas prioritários da cidade e do Estado, para repor as coisas em seus devidos lugares.
Nesse aspecto, porém, o governador inovou. E isso o torna diferente de tantos outros administradores e políticos. Repare-se o caso da prefeitura de Porto Velho.
Vários secretários de Sobrinho já manifestaram o desejo de candidatar-se a vereador da capital, dentre eles Sid Orleans (SEMUSA), Epifânia Barbosa (SEMED), Edson Silveira (OBRAS) e Mário Sérgio (EMDUR), mas, até agora, ninguém pediu para sair. Vão aproveitar a mamata até o último minuto. Afinal, são quase oito mil reais por mês. Um salário e tanto para quem ainda não disse a que veio.
Dentre as mudanças promovidas pelo governador Cassol, uma merece menção. Trata-se da ida do Coordenador Geral de Apoio à Governadoria (CGAG), Carlos Canosa, para a Casa Civil, acumulando, assim, os dois cargos, no lugar do empresário Joarez Jardim, que vai brigar pela prefeitura de Ji-Paraná.
Não é a primeira vez que Canosa acumula as duas funções. Homem de confiança de Cassol, ele tem sabido, com competência, lealdade e determinação, abrir clareiras na densa névoa de dificuldades enfrentadas pelo atual governo.
À frente da CGAG, desde o primeiro mandato do governador, Canosa se tem mantido de maneira retilínea. Por isso, angariou o respeito e a admiração, não somente de seu chefe, mas de todos que o cercam. É uma pessoa experiente e equilibrada, que se não deixou contaminar, até hoje, pelas benesses que o poder oferece.
Se a decisão do governador não chegou a surpreender, não é por demais destacar a sabedoria da sua atitude, sobretudo nessa fase tão difícil quanto obscura por que a administração pública nacional. Mudaram pessoas, mas as ações de governo – essas, certamente, - continuarão seu curso.