*Após sete dias na região da Vila Surumu, os 260 policiais federais concluíram a Operação Upatakon II, na terra indígena Raposa Serra do Sol, dando apoio aos técnicos do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e Funai (Fundação Nacional do Índio) que realizaram levantamento nas propriedades.
*Segundo o superintendente da Polícia Federal, Cláudio Lima, a operação foi concluída na sexta-feira, 29. Os policiais desfizeram acampamento e chegaram a Boa Vista ao meio-dia de sábado, divididos em duas equipes, que retornaram para seus Estados às 9h e 16h de domingo, 30.
*Na avaliação de Cláudio Lima, o levantamento das benfeitorias existentes nas fazendas de arroz realizado pelos técnicos do Incra e da Funai foi mais rápido do que o previsto e de paz.
*Ele avaliou como positiva a operação, mesmo tendo os policiais que quebrar dois cadeados de propriedades de arrozeiros, sendo o último no depósito da Fazenda Providência. “Não houve reação, apenas os cadeados estavam fechados e nós tivemos que quebrá-los, mas foi tudo em paz, do jeito que queríamos”, disse.
*Cláudio Lima informou que foram visitadas 35 propriedades na região do Surumu, e reafirmou que, caso os proprietários se sintam prejudicados, devem procurar seus direitos na Justiça.
*ASSOCIAÇÃO – A empresária Isabel Itikawa, da Associação de Arrozeiros, disse à Folha estar indignada com a situação. Ela contou que no mês passado a sua fazenda também foi vistoriada sem sua autorização.
*Como a fazenda possui título definitivo há mais de cem anos, Isabel disse nunca imaginar que passaria por este tipo de situação. “Eu chorei quando vi esses policiais arrebentando o cadeado da fazenda do Paulo César [produtor de arroz e prefeito de Pacaraima] e entrando sem autorização. O que fizeram comigo mês passado estão fazendo hoje com os outros produtores. Estamos abandonados e não apenas os produtores, mas toda a sociedade de Roraima. É uma falta de respeito”.
*OPERAÇÃO - A Operação Upatakon II iniciou no dia 22 de abril, quando os policiais federais começaram a entrar nas fazendas de arroz localizadas no chamado “cinturão de arroz” dentro da reserva Raposa Serra do Sol.
*Os 260 homens chegaram a Vila Surumu um dia antes para acompanhar a equipe técnica do Incra e da Funai, a qual procedeu às medições dos terrenos e benfeitorias existentes. *Algumas pessoas tentaram atear fogo na ponte de madeira que liga Pacaraima a Vila Surumu.
*Preparados com armas e usando coletes, capacetes e escudos à prova de balas, bombas de gás de pimenta e de efeito paralisante, os policiais federais fecharam as principais vias de acesso à comunidade.
*A estratégia foi para evitar problemas com indígenas que poderiam tentar fazer agentes federais como reféns em represália à retirada dos não-índios da reserva, como ocorreu na primeira fase da operação, no ano passado.
*O Exército cedeu helicópteros e material de apoio. Além de quatro ônibus, foram enviados para a área da reserva carretas, motocicletas e pick-ups carregados de equipamentos.