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Consequências das enchentes motivam ribeirinhos a procurar Justiça

Consequências das enchentes motivam ribeirinhos a procurar Justiça

Da Redação

06 de Agosto de 2014 às 16:11

Foto: Divulgação

Dona Antônia Leal, de 81 anos, foi resgatada pouco antes de ter a casa tomada pelas águas. Ficou três meses em Porto Velho até o Rio Madeira baixar o nível e finalmente voltar para o distrito de São Carlos, local onde sempre viveu e se sente bem, como fez questão de destacar durante a conversa com a juíza coordenadora da operação Justiça Rápida Itinerante no Baixo Madeira, Sandra Silvestre. A aposentada disse que contou com a ajuda dos vizinhos para limpar sua residência pois tem muitas dificuldades de locomoção. Chegou ao barco onde ocorrem os atendimentos, apoiada num taco de sinuca. No domingo, dia 3 de agosto, procurou a Justiça para atendimento médico e garantir benefícios, como a cesta básica.
“A falta de mobilidade não pode impedir que dona Antônia tenha acesso à assistência, por isso garantimos junto a defesa civil, que ela receba o alimento distribuído aos ribeirinhos”, esclareceu a magistrada, que foi pessoalmente até a casa da pioneira para averiguar as condições. Deparou-se com todas as dificuldades estruturais, mas também com a força e determinação de uma cidadã que quer fazer valer os seus direitos.
Como Dona Antônia, vários outros ribeirinhos buscaram na Justiça soluções para garantir os serviços essenciais para o distrito mais atingido pela cheia histórica. As reclamações vão desde a cobrança de contas de energia e telefone pelas operadoras, mesmo durante a interrupção dos serviços em consequências das enchentes, até o restabelecimento do atendimento de saúde e educação.
A população limpou prédios públicos como quadra, colégio, posto de saúde, mas reclama que a contrapartida do Poder Público é lenta ou inexistente. Segundo os moradores, as aulas só recomeçaram por iniciativa dos próprios professores, porém muitos alunos não conseguem chegar até a escola por falta de transporte escolar.
A limpeza da localidade ganhou reforço com a chegada da operação Aciso, parceria do Exército com a Justiça Rápida. 45 homens foram a São Carlos para os mais diversos serviços, tais como retirada de entulhos e terras, reparos e pinturas nos prédios, recreação com as crianças (oficina de desenho e música), além de atendimento médico e odontológico, serviços já oferecido nas demais localidades visitadas pela Justiça Rápida.
“A presença do Exército foi um diferencial na operação realizada no abrigo único no parque dos Tanques, e não poderia ser diferente na Aciso realizada em São Carlos. Até a banda da 17ª Brigada compareceu e contribuiu para tornar o trabalho mais leve, diante de tanta devastação e problemas sociais no distrito”, observou Sandra Silvestre ao acompanhar o hasteamento da bandeira, realizado como ato simbólico do enceramento das atividades. Quem teve a honra de hastear pavilhão foi o menino Hércules, orgulhoso da função que recebeu.
Direito ao esquecimento

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