A advogada criminalista Débora Moraes, que representa Larissa, divulgou nota em que afirma:
o perfil foi hackeado, e Larissa tentou recuperar o acesso assim que soube da mensagem;
com ajuda de suporte técnico e profissionais de informática, foram feitas todas as tentativas de recuperar a conta, sem sucesso;
Larissa jamais publicaria conteúdo ofensivo ou que banalize a violência sexual e repudia qualquer forma de violência.
A defesa diz concordar com a nota da prefeitura, por se tratar de ato da administração pública, e afirma que cabe às autoridades investigar o caso e que a inocência dela será provada.
A nota traz um pedido de desculpas: “caso tenha, de alguma forma, contribuído para a divulgação, mesmo sem qualquer participação, Larissa pede desculpas a toda a população de Pimenta Bueno, especialmente à Prefeitura Municipal”.
A advogada também critica o que chama de “julgamento antecipado” nas redes e avisa que ameaças ou ataques contra Larissa ou a família dela serão levados às autoridades.
Um ponto a observar: a nota da defesa trata da publicação, mas não menciona os áudios, que são justamente o argumento da prefeitura para duvidar da versão de invasão.
Há investigação?
Até a publicação, não há confirmação de investigação oficial. A Polícia Civil e o Ministério Público de Rondônia (MPRO) não informaram se o caso está sendo apurado.
Uma investigação é o caminho para esclarecer a autoria. Uma perícia pode verificar, por exemplo, registros de acesso à conta e a origem dos áudios.
Em tese, se ficar comprovado que alguém publicou o conteúdo, a conduta poderia ser analisada como incitação ao crime (art. 286 do Código Penal). Ninguém foi indiciado ou acusado formalmente. Larissa nega a autoria, e até prova em contrário vale a presunção de inocência.
O outro lado
As duas versões estão registradas: a da prefeitura, em nota oficial, e a da servidora, em nota da advogada.
O caso de Pimenta Bueno mostra o clima de tensão que seguiu o 2º turno em Rondônia, um estado onde a disputa presidencial mobilizou fortemente o eleitorado.
A prefeitura agiu rápido porque o conteúdo era grave: usar a violência sexual como “comemoração” política não é opinião, é ataque.
Mas a pergunta central continua sem resposta: quem escreveu o post e gravou os áudios?
Só uma investigação técnica pode responder, e é ela que vai dizer se a exoneração puniu a autora de um discurso de ódio ou uma vítima de invasão de conta.
Até lá, os fatos comprovados são dois: a publicação existiu, e a servidora nega tê-la feito.