Durante a abertura da 3ª Agrocom, realizada em Cerejeiras, o gerente estadual de Defesa Vegetal da Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril de Rondônia (Idaron) fez um importante alerta sobre o uso indevido de drones na aplicação de agrotóxicos nas lavouras do estado.
Segundo o representante do órgão, embora a tecnologia seja considerada um avanço significativo para o setor agrícola, o uso irregular dos equipamentos tem gerado preocupação e prejuízos, especialmente por conta da chamada “deriva” — quando o produto aplicado não atinge o alvo e acaba sendo levado pelo vento para outras áreas.
“Temos constatado muitas irregularidades nas pulverizações com drones, principalmente com equipamentos não registrados e operadores sem capacitação. Essa deriva pode atingir propriedades vizinhas, causar prejuízos e até chegar a áreas sensíveis, como escolas”, destacou.
O gerente também explicou que o problema não está na tecnologia em si, mas na forma como ela vem sendo utilizada. “O drone é uma ferramenta excepcional, principalmente para evitar que o produtor tenha contato direto com o produto químico. Mas precisa ser usado de forma correta, seguindo todas as normas técnicas”, afirmou.
Regras e fiscalização
De acordo com o Idaron, já existe um regramento específico para o uso de drones agrícolas, que inclui o registro da aeronave, capacitação dos operadores e acompanhamento técnico por profissionais habilitados. Além disso, uma nova exigência deve entrar em vigor a partir do próximo ano.
“Com a nova legislação de agrotóxicos, será obrigatória uma guia de trânsito para operações com drones. Estamos estruturando o sistema para garantir esse controle e trazer para a legalidade quem ainda atua de forma irregular”, explicou.
A medida visa aumentar a fiscalização e reduzir os riscos ambientais, sanitários e econômicos causados pelo uso inadequado da tecnologia.
Orientação ao produtor
O gerente reforçou que os produtores rurais também precisam redobrar a atenção na contratação desse tipo de serviço.
“A principal orientação é contratar apenas prestadores legalizados. Quando o serviço é feito por uma empresa regular, a responsabilidade técnica é dela. Mas, se o produtor contrata alguém irregular, ele também pode ser responsabilizado por eventuais danos”, alertou.
Responsabilidade compartilhada
Para os operadores e empresas que atuam com drones, o recado é claro: buscar regularização junto aos órgãos competentes.
“É fundamental procurar o Idaron, fazer o registro e comprovar capacitação. Só assim será possível atuar dentro da lei e com segurança”, completou.
O tema ganhou destaque durante a Agrocom, reforçando o papel da feira não apenas como vitrine de tecnologia e negócios, mas também como espaço para orientação e conscientização do setor produtivo.