Uma disputa territorial centenária entre os estados do Pará e Mato Grosso voltou ao centro das atenções no Supremo Tribunal Federal e pode impactar diretamente seis municípios paraenses. A área em discussão possui cerca de 22 mil quilômetros quadrados — extensão semelhante ao território do estado de Sergipe.
Os municípios envolvidos na disputa são Jacareacanga, Novo Progresso, Altamira, São Félix do Xingu, Cumaru do Norte e Santana do Araguaia.
A origem do conflito remonta a 1922, quando a fronteira entre os dois estados foi oficialmente definida. Com o passar das décadas, porém, surgiram divergências sobre os marcos geográficos utilizados para delimitar a região.
Um dos pontos centrais do processo é a área conhecida como Cachoeira das Sete Quedas. O governo de Mato Grosso defende uma nova interpretação da linha territorial, incluindo parte da área atualmente reconhecida como pertencente ao Pará.
A disputa envolve interesses econômicos relevantes. A região possui áreas de produção agropecuária, exploração mineral, terras valorizadas, arrecadação tributária estratégica e importância ambiental para a Amazônia.
O Mato Grosso tenta anular uma decisão anterior favorável ao Pará e pede que o STF reavalie os limites territoriais. Já o Pará sustenta que a divisão foi validada pela própria Corte em 2020 e defende a manutenção da fronteira histórica.
Caso haja alteração nos limites estaduais, moradores, produtores rurais, empresas e administrações municipais poderão enfrentar impactos administrativos, tributários e fundiários, incluindo mudanças relacionadas à documentação de propriedades e arrecadação de impostos.
A audiência de conciliação no STF foi remarcada para junho de 2026 e será conduzida pelo ministro Flávio Dino.