CELEBRAÇÃO: Machadinho D'Oeste, antigo seringal e projeto do Incra, completa 35 anos

Machadinho d’Oeste é um dos maiores municípios da Amazônia Ocidental Brasileira e do País

CELEBRAÇÃO: Machadinho D'Oeste, antigo seringal e projeto do Incra, completa 35 anos

Foto: Divulgação

O seringalista Joaquim Pereira da Rocha liderava um batalhão de 400 homens na floresta. No início da década de 1950, onças-pintadas rondavam o acampamento do Seringal União, de propriedade dele. Foi ali que, primeira vez, descobriu-se um grande veio de minério de estanho (cassiterita) na futura região, hoje limítrofe entre os estados de Rondônia e Mato Grosso.
 
O velho seringal que espalhava essa notícia para o sul do País e para os escritórios de empresas de mineração na América Latina e no mundo, pertencia mesmo ao velho Mato Grosso. Seu Rocha, como era conhecido, possivelmente seja lembrado por poucos, atualmente. Mas ali ele esteve, encomendando a geólogos americanos, em 1952, o estudo da cassiterita. As terras desse seringal e de outro, o Angustura, mais tarde dariam origem ao município de Machadinho D’Oeste, que nesta terça-feira (11) faz 35 anos.
 
Mesmo perdendo o velho território para Ariquemes, Jaru e Ji-Paraná, Machadinho D’Oeste tem hoje a extensão de 8,5 mil Km²; é um dos maiores municípios da Amazônia Ocidental Brasileira e do País.
 
O nome homenageia o rio Machadinho, afluente da margem esquerda do rio Ji-Paraná, que também banha o município.
 
Tatiane Santos Coronel, moradora, quando aguardava a conclusão da pavimentação no perímetro urbano da RO-133Seu Rocha pacientemente lhe respondia: “À noite você vai saber”. De fato, o miado das onças era ouvido de longe, e os seringueiros se acomodavam em redes amarradas no alto do barracão, para evitar quaisquer surpresas.
 
Esse passado longínquo de Machadinho foi relatado por seu Rocha em 1976 ao grupo de jornalistas que trabalhavam no extinto jornal diário A Tribuna, por ele fundado em Porto Velho.
 
Com 40,8 mil habitantes, a 350 quilômetros de Porto Velho, por rodovia, foi até os anos 1980 um próspero projeto de assentamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), sediado em Ariquemes. Sua fundação ocorreu em 15 de fevereiro de 1982; em 11 de maio daquele ano acontecia a emancipação.
 
Machadinho foi criado em 11 de maio de 1988, pela Lei nº 198, assinada pelo então governador Jerônimo Santana. José Carlos de Souza Freitas foi seu primeiro prefeito.
 
DESMATAMENTO
 
Um dos maiores receptores de migrantes, obteve em 1985 a marca especial do primeiro milhão de habitantes do Estado de Rondônia. Quem  mais enviou famílias para Machadinho foram os estados: Bahia, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso, Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Pernambuco e Rio Grande do Sul.
 
A ocupação do antigo seringal produziu seus efeitos: o Incra exigia que o colono casado desmatasse 50% do lote para ser titulado e, dentro de suas possibilidades, candidatar-se a financiamento bancário para formar lavouras. Três décadas atrás, colonos e grileiros de terras desmataram tanto que atualmente a Secretaria Estadual do Desenvolvimento Ambiental (Sedam) replanta os primeiros 270 hectares com mudas nativas no município.
 
DILEMA ENERGÉTICO
 
O outro desafio exibe o contraditório econômico: há pelo menos duas décadas o município tem projetada uma usina hidrelétrica na cachoeira Dois de Dezembro, no rio Machado.
 
O projeto de Tabajara, concebido em 2007 pelo anterior Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) foi um daqueles que ganharam prioridade por causa da possibilidade de crise energética e do esvaziamento de reservatórios no sul do Brasil. A energia de Tabajara deverá ser interligada ao Sistema Integrado Nacional, além de abastecer cerca de 700 mil domicílios em Rondônia, ou seja, 40% da demanda estadual.
 
Recentemente a população de Machadinho conheceu uma planta completa para a geração diária de 20 mil quilowatts (kWh) suficientes para abastecer 3,4 mil residências, com o consumo médio de 152 kWh/mês, ou 12,8 mil pessoas, totalizando 12,5 mil placas placas solares instaladas num terreno de 96 mil m².
 
Essa usina fotovoltaica pertence a uma empresa de Porto Velho que já oferece a geração dessa energia a cinco municípios rondonienses, com capacidade para atender a uma média de 43 mil pessoas, por geração distribuída. Os  investimentos geram mais de 200 empregos indiretos e renda regional, promovendo a sustentabilidade.
 
Atualmente, Machadinho apresenta 2,1% de domicílios com esgotamento sanitário adequado, 10,5% de domicílios urbanos em vias públicas com arborização e 1% de domicílios urbanos em vias públicas com urbanização adequada (presença de bueiro, calçada, pavimentação e meio-fio).
 
Em 2018 circulavam no município 14,2 mil veículos, dos quais, 7,5 mil motos, 1,9 mil motonetas, 1,9 mil, 2,7 mil automóveis, 1.131 camionetes, e 445 caminhões.
 
PRODUÇÃO
 
A piscicultura estava em franca expansão em 2019, aponta o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): tanques e rios produziram 1,8 toneladas de tambaqui; 198,4 t de cachara, cachapira, pintado, pintachara e surubim; 153,8 t de jatuarana, piabanha e piracanjuba; 140,4 de pacu e patinga; e 1.610 kg de pirarucu.
 
O rebanho bovino era de 389,4 mil cabeças, das quais, segundo o IBGE, 52,9 mil vacas são ordenhadas e deram 81,4 mil. Os suínos totalizavam 5,8 mil.
 
O rebanho de bubalinos chegava a 92 cabeças, o de ovinos, 936, pouco diante das 300 cabras leiteiras, 59,2 mil galinhas, e 4,6 mil equinos. Apicultores obtiveram 400 litros de mel de abelha.
 
Com 93,2% de taxa de escolarização a faixa de seis a 14 anos (dados de 2010), Machadinho obteve 5,2 de nota do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Ideb), tinha 5,9 mil matriculados em 2o18, 323 professores em 30 escolas dos ensinos médio e fundamental.
 
Palco de diversas agressões à floresta, em 2019 o município extraiu oficialmente 100,7 mil m³ de madeiras diversas, aparelhando somente 31,2 mil m³ em suas serrarias. Seu movimento financeiro revela um comércio em ascensão: agências bancárias locais possuíam em 2018 volumes de R$ 10,4 milhões em depósitos à vista e R$ 24,3 milhões em contas-poupança. As operações de crédito totalizavam R$ 135,5 milhões.
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