Guajará-Mirim voltou ao centro do debate público após a realização de um show que custou R$ 450 mil aos cofres públicos, valor oriundo de emenda parlamentar. A atração, a cantora Juliana do Bonde, subiu ao palco, animou o público com repertório de forte apelo popular incluindo músicas de cunho pornográfico e deixou a cidade após o evento com o cachê garantido.
Até aí, nada fora do roteiro comum de festas financiadas com dinheiro público. O problema começa quando as luzes se apagam e a realidade volta a se impor. Ruas esburacadas, infraestrutura precária e demandas antigas da população seguem sem solução, reforçando um contraste difícil de ignorar.
O investimento em cultura e lazer é legítimo e necessário. Eventos movimentam a economia, geram renda e oferecem momentos de entretenimento à população. No entanto, a discussão que se impõe é sobre prioridade. Quando valores expressivos são direcionados a uma única apresentação, a população naturalmente questiona: o que poderia ter sido feito com esse mesmo recurso em áreas essenciais?
Nesse cenário, a condução da gestão municipal também entra em xeque. O prefeito Fábio Garcia de Oliveira, conhecido como Netinho, diante desse contexto, passa a impressão de não tratar com a devida atenção as prioridades mais urgentes do município, sobretudo aquelas que impactam diretamente o dia a dia da população.
A crítica não recai exclusivamente sobre a artista, que cumpriu seu papel profissional. O foco está na gestão e na escolha de onde e como aplicar o dinheiro público. Afinal, enquanto o palco foi montado e desmontado em poucas horas, os problemas estruturais continuam fixos no cotidiano da cidade.
Passada a festa, o que ficou não foi apenas a lembrança do show e da bund@ da Juliana, mas também os buracos nas ruas e, para muitos, na forma como se definem as prioridades da administração pública.
E resta a dúvida, o prefeito tem coragem e hombridade para divulgar o plano de trabalho da emenda pública que custeou o show? Pode abrir transparência e dar publicidade como foi gasto o recurso estadual, ponto a ponto?
Ou a única transparência que importa pro ‘Netinho’ é a da lingerie da Juliana Bonde?