O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) apresentou os principais resultados do Relatório 2025 sobre desaparecimento de pessoas no Brasil, elaborado pelo Observatório do Desaparecimento de Pessoas (ObDes), da Universidade de Brasília. O estudo é resultado de parceria firmada por meio de termo de execução descentralizada, com investimento de R$ 685 mil.
Com 157 páginas, o relatório analisa as dinâmicas e os fluxos que estruturam o fenômeno no país, com foco no período democrático e nas dimensões estruturais do problema. A pesquisa reuniu entrevistas com familiares e lideranças, workshops, reuniões com órgãos públicos, envio de 57 pedidos via Lei de Acesso à Informação e visita técnica ao Instituto Médico Legal do Distrito Federal para avaliar protocolos periciais.
Além do documento principal, o ObDes apresentou relatório consolidado dos workshops realizados em 2025, que discutiram conceitos de desaparecimento, escuta de familiares, desafios forenses e casos ligados a conflitos fundiários envolvendo povos indígenas e trabalhadores rurais.
O projeto também resultou na publicação da coletânea “O Desaparecimento de Pessoas no Brasil: análises interdisciplinares e reflexões críticas”, reunindo especialistas da área.
Durante o encontro, foi debatida ainda a possibilidade de pesquisa sobre valas e cemitérios clandestinos no Rio de Janeiro, em atendimento a recomendação do Ministério Público Federal e a decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos no caso da Chacina de Acari. A proposta está alinhada à Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas (Lei 13.812/2019) e busca fortalecer investigações e políticas públicas na área.