A transformação de sindicatos em aparelhos partidários, além de desviar as instituições de suas finalidades precípuas, persiste como um dos fatores responsáveis pela debilidade da classe trabalhadora.
Ao mesmo tempo em que passa a representar e privilegiar interesses dos que rezam por cartilha partidária única, o sindicato transformado perde de vista as verdadeiras lutas que deveriam animar suas mais influentes lideranças.
Aqui e alhures, não têm faltado exemplos desses desvios, que atrapalham as conquistas das categorias, deixando a instituição cada vez mais desacreditada e malvista não somente aos olhos de seus filiados, mas, também, perante a opinião pública, embora muitas delas utilizem como pretextos os problemas dos que dizem representar e suas mais legítimas aspirações.
Há pouco, escrevi um artigo falado sobre a possibilidade de greve na educação estadual. Márcio, de Cacoal, comentou dizendo não acreditar na greve, uma vez que “as próprias pessoas que encabeçavam as greves 99% hoje têm portarias, umas como diretoras e, outras, como vice. E os sindicatos, hoje, parecem que estão nas mãos dos governos”.
Verdadeiras ou não as colocações do internauta, manda o bom senso que certos dirigentes sindicais revejam, o mais rápido possível, seus conceitos de sindicalismo, antes que a vaca vá definitivamente para o brejo e de lá não mais volte.
Impossível acreditar que entidades representativas de determinada categoria profissional possam ficar à margem dos acontecimentos políticos. Admitir isso seria o mesmo que conferir aos sindicatos a condição de sistemas fechados, impermeáveis à efervescência ambiental.
Inaceitável, porém, é o atrelamento de entidades a esse ou àquele partido. Ou, então, que a instituição seja usada como instrumento de vindita pessoal ou político-partidária.
Agora, o que tem de gente confundindo deleite pessoal com sindicalismo de resultado não é brincadeira. O pior é que, agindo assim, essas pessoas acabam nivelando por baixo a ação proficiente de quem realmente tem compromisso com a categoria que representa. E isso é muito ruim. Ou, melhor, é vergonhoso. É uma má lição.