Alguém já disse que o planeta é assim como uma nave, singrando no espaço sideral. Se, por acaso, sofrer algum defeito e cair, todos os seus tripulantes e passageiros morrerão.
Agora, use a imaginação e transfira o enunciado acima para o campo estadual. Compare o estado de Rondônia a um barco imenso, que singra, hoje, num oceano de problemas os mais diferentes e aterrorizantes.
Os ruídos da incompetência abafam as advertências daqueles em cujos corações ainda restam um pouco de esperança e procuram, desesperadamente, prevenir os timoneiros do barco, à deriva, dos perigos mortais que rondam a todos. Mas ninguém os escuta.
Pois é. Rondônia, hoje, é isso. Nada mais que isso. Ou seja, um barco onde a maioria dos tripulantes é prisioneira do medo e da incerteza, sem saber, ao certo, para onde está apontada a proa.
Perdidos, seja pela incompetência, seja pela inexperiência, seja, ainda, pela vaidade delirante, que deixam míopes certas administradores da coisa pública, os milhões de infortunados, de deserdados da sorte, já não mais sabem o que fazer para evitar a catástrofe.
Na ausência de ações céleres e eficientes, o jeito é rezar, contritamente. Preferencialmente, de joelhos e com os olhos voltados para o céu, a espera de um milagre.
Os comandantes da grande nau estão atordoados. Depois de tentarem rumos os mais diversos, parecem tristemente conformados, até mesmo com a possibilidade de o barco vir a naufragar no abismo insondável do mar revolto.
Por isso, se resignam diante do iminente desastre, convictos de que a eles, como os primeiros a pressentirem o naufrágio, não faltarão os barcos salva-vidas com os quais poderão rumar para outros destinos, deixando os passageiros entregues à sua própria desdita.