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LITERATURA: Projeto da USP abre espaço para publicação de vídeo de até três minutos

Até agora alguns clássicos já foram narrados, como Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, Guerra e Paz, de Tolstói, e O Quarto Branco, de Daniela Aguerre. Com isso, a instituição pretende incentivar não só a leitura, mas também a interação com o público neste momento em que encontros presenciais não são permitidos.

Jornal da USP

04 de Maio de 2020 às 08:30

Foto: Divulgação

O ato de gravar uma leitura é tão antigo quanto o próprio gravador, mas os audiolivros ou audiobooks, como conhecemos hoje, foram inventados nos Estados Unidos por volta de 1930, e tinham como objetivo tornar conteúdos literários acessíveis para deficientes visuais.

 

 Hoje em dia, essa ferramenta possui várias utilidades que vão desde auxiliar nos estudos a promover clubes de leitura a distância. E é justamente esta última ideia que o Centro Universitário Maria Antonia da USP propõe para todos aqueles que o acompanham.

 

 

A atividade O Que Você Está Lendo Agora? consiste em gravar um vídeo, com até três minutos de duração, lendo o trecho de um livro e falando um pouco sobre ele. Com isso, a instituição pretende incentivar não só a leitura, mas também a interação com o público neste momento em que encontros presenciais não são permitidos.

 

 

Até agora alguns clássicos já foram narrados, como Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, Guerra e Paz, de Tolstói, e O Quarto Branco, de Daniela Aguerre. Os vídeos devem ser enviados para imprensama@usp.br, e serão publicados nas redes sociais do Maria Antonia.

 

 

Dentre os primeiros livros a serem narrados em audiobooks estavam a Bíblia, peças de Shakespeare e a Declaração de Independência dos Estados Unidos. Atualmente esse catálogo é muito maior e aparece como tendência no mercado editorial.

 

 “No ano passado, a maior feira de livros do mundo, a Feira de Frankfurt, reservou uma área de 600 m2 para empresas de áudio”, afirma a professora Vânia Lima, do Departamento de Informação e Cultura da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. Entretanto, para a narração completa de um livro, é necessário ter os direitos autorais. Por isso a maior parte das iniciativas gratuitas na internet propõe apenas uma leitura parcial das obras.

 

 

 

Segundo Vânia, o isolamento que estamos vivendo hoje não tem tanta influência sobre a procura por esse tipo de suporte, até porque o acesso ao livro físico continua o mesmo – só a compra precisa ser feita on-line. “A opção do audiobook me parece estar mais vinculada a um perfil de consumidor específico, que quer se apropriar de novos conteúdos enquanto realiza outras atividades, como cozinhar, caminhar e dirigir”, diz ela. Nesse sentido, o audiolivro aparece como o podcast na vida cada vez mais movimentada das pessoas.

 

 

No entanto, para a professora, as experiências de ler e ouvir são muito distintas e individuais. “Além de livros e audiolivros serem objetos diferentes, eles também são caminhos diferentes pelo mesmo universo. A influência na compreensão da obra literária também me parece uma questão individual”, afirma Vânia. Segundo ela, o fato de o cérebro processar a informação escrita diferente da informação sonora faz com que algumas pessoas assimilem melhor o texto e outras respondam melhor ao estímulo visual e sonoro. 

 

Cinema sobre autores e livros

 

 

São várias as possibilidades de compreender e discutir literatura para além da simples leitura de uma obra. No âmbito do audiovisual, o site Persona Cinema fez uma lista com dez documentários que falam sobre personalidades da literatura brasileira.

 

Os filmes aparecem com os respectivos links e pequenos comentários sobre os autores ali destacados. Dentre eles estã0 Wilson Martins (1921-2010), autor de História da Inteligência Brasileira e um dos maiores críticos literários brasileiros e grandes escritores como Manuel Bandeira (1886-1968) e Adélia Prado.

 

 

A lista termina com um filme sobre Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), um dos maiores representantes da poesia brasileira. E alguém que pode resumir bem o que é a literatura no Brasil e os artistas como ele: “Escritor: não somente uma certa maneira especial de ver as coisas, senão também uma impossibilidade de as ver de qualquer outra maneira.”

 

Direito ao esquecimento

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