O governo de Donald Trump deve anunciar em breve que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) passarão a ser vistos pelos Estados Unidos como organizações terroristas estrangeiras, conforme reportagens publicadas por UOL e Jornal de Brasília. Na prática, isso permite que os americanos congelem contas bancárias e proíbam a entrada de pessoas ligadas a esses grupos no país.
O governo federal, no entanto, é contra a mudança. O Ministério da Justiça explica que, pela Lei Antiterrorismo brasileira (Lei 13.260/2016), o terrorismo é definido por motivação política ou ideológica, o que não seria o caso das facções brasileiras, que buscam lucro financeiro.
O governo Lula também teme que, se o Brasil aceitar esse termo, os Estados Unidos possam usar isso como justificativa para realizar operações militares em solo brasileiro sem autorização, a exemplo do que ocorreu recentemente com bombardeios a embarcações no Caribe.
O tema também é uma vitrine no Legislativo. O senador Jorge Seif (PL-SC) defendeu um projeto de lei que coloca as facções na mesma categoria de grupos terroristas. Governadores como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), apoiam a ideia. Eles argumentam que essas organizações já controlam bairros inteiros e serviços, por isso precisam de uma punição mais severa do que a prevista para crimes comuns.