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Morre Hesio Cordeiro, sanitarista que propôs a criação do SUS

Médico assinou uma carta em 1976 falando sobre saúde pública que serviu de base para a criação do Sistema Único de Saúde brasileiro

METRÓPOLES

09 de Novembro de 2020 às 15:59

Foto: Divulgação

Faleceu, neste domingo (8/11), no Rio de Janeiro, o médico sanitarista e professor Hesio de Albuquerque Cordeiro. O docente tinha 78 anos e lutava contra uma doença degenerativa. Uma das principais vozes da luta pela saúde pública no Brasil, Hesio propôs, nos anos 1970, a criação de um sistema universal de saúde, que mais tarde veio a ser conhecido como SUS.
 
Em 1971, o médico criou o Instituto de Medicina Social (IMS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), o primeiro programa de pesquisa em saúde pública do país. O IMS serviu como base para a criação do Sistema Único de Saúde brasileiro.
 
Em 1976, Hesio assinou, com outros dois médicos, uma carta intitulada A questão democrática na área da saúde, que é considerada hoje um manifesto em defesa da saúde pública. No documento, o professor criticava a política de privatização do governo militar e culpava a gestão pelo aumento da mortalidade infantil e reaparecimento de doenças controladas.
 
No final do texto, são propostas as bases de um sistema único de saúde – mais tarde, o manifesto também foi usado para criar o SUS e inserir o direito à saúde na Constituição.
 
Além de professor universitário, Hesio foi consultor da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), diretor da Agência Nacional de Saúde (ANS) e Doutor Honoris Causa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
 
Nas redes sociais, Jarbas Barbosa, vice-diretor da Opas, lamentou a morte do colega: “Grande perda para a saúde pública brasileira. Descanse em paz, Hesio. A melhor homenagem à sua vida é continuar lutando para fortalecer e aperfeiçoar o SUS“, escreveu.
 
O vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Pública (Abrasco), Reinaldo Guimarães, também prestou homenagem em artigo publicado no site da instituição. “Perdemos todos, a universidade, os amigos e principalmente a política de saúde no Brasil. Hora de lamentar. E de inspirar-se em seu exemplo”, disse.
Direito ao esquecimento

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