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EM DÓLAR: Militares brasileiros recebem supersalários no exterior de até R$ 370 mil

Coronéis e capitães de mar a guerra brasileiros recebem benefícios fora do país; o salário médio da categoria é de R$ 22 mil no Brasil

ECONOMIA.IG -

09 de Novembro de 2020 às 13:48

Foto: Divulgação

 

ECONOMIA.IG - Adidos militares, que são integrantes das  Forças Armadas do Brasil que trabalham com a diplomacia brasileira no exterior, recebem supersalários de até R$ 370 mil. É o que mostrou a coluna de Lúcio Vaz, da Gazeta do Povo, no domingo (8).

 
Recebendo em dólar, os adidos militares brasileiros  podem obter até R$ 370 mil em um mês. A renda mensal fixa chega a R$ 137 mil, incluindo a verba de representação e outras indenizações. Esses supersalários não são destinados os dos generais, mas sim para os coronéis e capitães de mar a guerra, que têm salário médio de R$ 22 mil no Brasil. Já os auxiliares de adidos, suboficiais e subtenentes, que têm renda de R$ 12 mil no país, recebem até R$ 55 mil no exterior.
 
Eles recebem uma indenização de representação no exterior (Irex), que pode chegar ao valor de R$ 30 mil. A Irex é calculada com base no custo de vida de cada país, para compensar despesas próprias da missão. A idenização é como um salário extra, porque não há prestação de contas dessas despesas. Além dela, há várias outras indenizações, como auxílio-moradia e auxílio-familiar, além do transporte e mudança – que são pagos na instalação no cargo e no retorno ao país.
 
A coluna do jornal revelou alguns dos maiores salários dos militares brasileiros que trabalham no exterior. Um dos citados foi o capitão de mar e guerra Alfred Dombrow, que deixou o cargo de adjunto do adido militar nos Estados Unidos e no Canadá no mês de julho. Em junho, Dombrow recebeu remuneração básica de US$ 8,3 mil, mais US$ 16,3 mil de remunerações eventuais e US$ 5,5 mil de 13º salário. Mais US$ 36,2 mil foram de indenizações, totalizando um salário de US$ 66,3 mil – o equivalente a R$ 368 mil.
 
Outro exemplo é do coronel do Exército, Guilherme Langaro Bernardes. Ele é adido militar em Nova Delhi, na Índia e tem salário de US$ 10,6 mil – o equivalente a R$ 58,9 mil, superior ao teto remuneratório constitucional e quase o dobro do salário do presidente da República. Além do valor fixo, Bernarder recebe também mais US$ 14 mil em verbas indenizatórias, totalizando US$ 24,7 mil, ou R$ 137 mil.
 
Os militares no exterior recebem auxílios:  auxílio-familiar atende à manutenção e às despesas de educação e assistência a seus dependentes no exterior, sendo calculado com base na Irex à razão de 10% para a esposa e 5% para cada dependente, incluindo filho menor, filha solteira e mãe viúva, ambas sem remuneração, enteados, adotivos, tutelados e curatelados; já o auxílio-moradia é pago para custeio de locação de residência, desde que não exista imóvel funcional disponível na sede no exterior, na forma de ressarcimento por despesa comprovada pelo servidor.
 
O colunista obteve resposta da Associação dos Diplomatas Brasileiros, que afirmou: “Irex é indenização. Não há contas a prestar, deve ser interpretada como parte do salário. Educação dos filhos entra nessas despesas, o aluguel não coberto pela RF, comida, despesas médicas, por exemplo”. A Associação disse também que almoços e jantares de trabalho “são parte fundamental da articulação com outros representantes de Estado, assim como também se pratica na iniciativa privada”.
 
 
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