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DÚVIDAS: Mecanismo de pagamentos pelos WhatsApp preocupa o Banco Central

Banco Central diz que mecanismo de pagamentos anunciado pelo aplicativo de mensagens, que tem milhões de usuários, não pode provocar concentração no mercado

correio braziliense

19 de Junho de 2020 às 09:27

Atualizada em : 19 de Junho de 2020 às 17:08

Foto: Divulgação

 

CORREIO BRAZILIENSE - A possibilidade de fazer pagamentos e transferências bancárias por meio do WhatsApp despertou a curiosidade de muitos brasileiros. Porém, também chamou a atenção dos bancos e dos órgãos reguladores do sistema financeiro nacional. O receio é de que, por conta da sua popularidade e facilidade, o WhatsApp abocanhe grande parte do mercado de pagamentos digitais, reduzindo a concorrência do setor e atrapalhando os planos de digitalização dos bancos brasileiros e até do Banco Central (BC).

O recurso de pagamentos do WhatsApp, batizado de Facebook Pay, foi lançado nesta semana. Por enquanto, é uma exclusividade dos usuários brasileiros do aplicativo de mensagens instantâneas, que não são poucos. O WhatsApp tem 120 milhões de usuários no Brasil e calcula que 51 milhões podem aderir ao sistema num primeiro momento.

 
A empresa tem uma base de clientes potenciais muito maior do que o cadastro de qualquer banco brasileiro, e ainda indicou que tem planos para ampliar as possibilidades de transação financeira.
 
Os bancos trabalham há anos em aplicativos digitais e o Banco Central vai lançar, neste ano, o sistema de pagamentos instantâneos, o PIX. Segundo fontes do mercado, o BC e o Conselho de Administrativo de Defesa Econômica (Cade) enviaram pedido de informações ao WhatsApp e ao Facebook, que é o dono do aplicativo de mensagens.
 
O Cade informou que “está atento ao assunto”. O BC afirmou que o sistema tem “grande potencial de sua integração ao PIX”. Entretanto, o BC considera prematura qualquer iniciativa que possa gerar fragmentação de mercado e concentração em agentes específicos. O BC vai ser vigilante a qualquer desenvolvimento fechado ou que tenha componentes que inibam a interoperabilidade e limite seu objetivo de ter um sistema rápido, seguro, transparente, aberto e barato”, ressaltou.
 
O WhatsApp informou que espera trabalhar junto ao BC no PIX. “Queremos que os pagamentos alcancem todos os usuários do WhatsApp no Brasil e achamos que o PIX será uma ótima maneira de ajudar a expandir a cobertura para todos”, ressaltou a empresa.
 
O assunto divide especialistas. O CEO da Matera, Carlos Netto, acredita que “isso tudo acaba impulsionando ainda mais o PIX, pois os grandes bancos verão, nele, uma forma de não perder a base de clientes”. Já o sociólogo e economista-político Edemilson Paraná acredita que há motivos para temer a redução da concorrência no setor de pagamentos digitais.
 
“É uma preocupação vista em vários lugares do mundo, por conta da ampla base de penetração do Facebook e do WhatsApp. Não à toa, esse serviço começou no Brasil. A empresa encontrou dificuldades em vários países e apostou no Brasil porque aqui o mercado é grande e porque o governo atual parece ser mais liberal quanto a isso”, avaliou.
 
 
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