ARTIGO DE LUXO: Consumo de carne bovina é o menor em 25 anos no país, e famílias mudam dieta

O ano em que o cidadão mais teve acesso ao alimento foi 2006, quando a média por pessoa chegou a 42,8 kg.

ARTIGO DE LUXO: Consumo de carne bovina é o menor em 25 anos no país, e famílias mudam dieta

Foto: Divulgação

A carne vermelha ficou mais rara na mesa do brasileiro desde o ano passado. Cada pessoa consumiu em média 29 kg da proteína em 2020, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). É o menor número desde 1996, quando o levantamento começou a ser feito. O fenômeno é motivado por fatores como a inflação e a diminuição da oferta no mercado interno em função das medidas de isolamento social. Nutricionistas explicam como substituir o alimento, equilibrando a quantidade de nutrientes e sem se esquecer do paladar.
 
Em 2020, houve queda de 5% em relação ao ano anterior, quando foram consumidos em média 30,6 kg de carne bovina por cada brasileiro. A previsão do Conab é que em 2021 o consumo caia ainda mais e fique em 26,4 kg per capta, com base em levantamento atualizado em abril. O ano em que o cidadão mais teve acesso ao alimento foi 2006, quando a média por pessoa chegou a 42,8 kg.
 
O professor de economia do Ibmec-BH Felipe Leroy explica que a queda no consumo de carne vermelha está ocorrendo por uma combinação de fatores como a inflação e o aumento da exportação da carne bovina.
 
Desde o início da pandemia, a gente começou a ter uma elevação significativa da inflação. E a inflação corrói o poder de compra das famílias, que tentam fazer substituições no consumo para pagar o que é essencial para a subsistência. E como a gente estava atendendo ao mercado internacional de carne bovina e os preços estavam subindo no Brasil, teve uma queda significativa pela demanda de carne no país”, analisa.
 
Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), as carnes tiveram um aumento de preço acumulado de 17,97% em 2020.
 
Como substituir
 
Além de pensar no bolso, o consumidor também deve ficar atento à saúde na hora de decidir qual item vai entrar no lugar da carne no cardápio. A nutricionista e conselheira do Conselho Regional de Nutricionistas da 9ª Região (CRN-9), Daniela Corrêa Ferreira, explica como o alimento pode ser substituído por alternativas mais baratas.
 
Dentro da categoria da carne vermelha, nós temos os diferentes tipos de corte. Talvez optar por um corte que seja mais magro e que esteja acessível, seria uma opção. Caso nãos seja possível, uma saída seria utilizar as carnes brancas como o frango, o peixe e, em último caso, lançar mão da carne suína”, diz Daniela.
 
A nutricionista explica que o consumidor deve ter cautela ao substituir a carne de boi pelas carnes de porco ou frango. “A gente tem que tomar muito cuidado com o aporte de calorias fornecidas pela gordura. Os cortes suínos podem ter um teor maior de gordura. Então, as pessoas podem optar por frango, peixe e cortes suínos que tenham menor teor de gordura. Lembrando que, quando for consumir o frango, é recomendado que se retire a pele”, orienta.
 
Muitos recorrem ao ovo em períodos de alta no preço da carne, mas a nutricionista alerta que esse alimento não possui todos os nutrientes encontrados na proteína bovina. “Se a gente pensar em substituir a carne pensando no aporte de proteína, a gente pode pensar no ovo. Mas o ovo não vai ter a quantidade necessária de outros nutrientes que a carne tem, principalmente a vitamina B12, e a deficiência dessa vitamina pode levar a um tipo de anemia”, explica.
 
A nutricionista Lorrayne Gurgel, 25, aplica o conhecimento profissional em sua rotina diária e, além da questão nutricional, revela como agradar o paladar. “Na falta da carne, além de comer mais frango e ovos, caprichamos ainda mais nos legumes e nas verduras. A criatividade conta muito. E faz a diferença saber usar os legumes de formas diferentes para obter sabores e texturas diferentes”, explica.
 
A estratégia de substituir a carne tem sido usada pelo fotógrafo Emanuel Vieira, 26. Ele mora na ocupação Carolina, no centro de Belo Horizonte, e viu a renda despencar com a suspensão dos eventos por causa do isolamento social. “Um quilo de carne de segunda para cozinhar está 40 ‘pau’. Na metade do ano passado eu comia um pouco, mas depois eu comecei a comer raramente carne vermelha. Agora, ou é carne suína, tipo pernil, que você ainda acha por R$ 15 o quilo, ou o frango, que está por R$ 10, dependendo do corte”, conta.
 
Consumo deve continuar em baixa
 
O professor Felipe Leroy projeta que neste ano a demanda por carne vermelha deve continuar baixa no país por causa dos efeitos da pandemia e do clima. “A gente está entrando em um período de estiagem, um período complexo para os produtores, que reduz a pastagem. E aumentando o custo, aumenta o preço. E agente não está a todo vapor reduzindo, porque a vacinação não caminhou. Então tem muita fábrica trabalhando com capacidade reduzida. Com o desemprego aumentando e a inflação lá em cima, vai cair o consumo”, diz.
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