Contraste perigoso - Por Valdemir Caldas

Parece piada, mas é verdade. Tem prefeito que se elegeu com um discurso moralizar, porém, mal se sentou na principal cadeira do palácio e já foi chamado às falas pela Justiça para prestar esclarecimentos sobre conduta que afronta as boas práticas administrativas. Essa gente não aprende, mesmo! 
 
Interessante é que, durante a campanha eleitoral, os discursos são os mesmos: transparência na condução dos negócios públicos, combate, sem trégua, à corrupção, ao nepotismo e outras ilicitudes, que impregnam a administração pública e enojam a sociedade, entre outras promessas. 
 
Alçados ao poder, porém, alguns são acometidos por uma crise de amnésia e passam a enveredar pelos mesmos caminhos sinuosos trilhados por antecessores, para os quais apontavam o dedo. Quanta desfaçatez! Onde já se viu! É brincar com coisa séria. É chacotear da cara do povo.
 
Em qualquer outra atividade, a recusa ao exercício criterioso e obediente aos procedimentos adequados condena o que a exerce, no mínimo, à desconfiança dos seus contemporâneos. Pergunte a um advogado, por exemplo, qual o prestígio de que ele desfruta se costuma perder prazos. 
 
Na politica, no entanto, é comum se tolerar certas práticas. Não me recordo de ter visto nenhuma manifestação de repúdio à nomeação do cidadão, apanhado em erro e condenado pela Justiça. Por quê? Porque ele é parente dessa ou daquela autoridade, ou, então, porque foi indicado pelo amigo, do amigo, do amigo. Tenha santa paciência! Assim já é demais. Daqui a quatro anos, estaremos unidos, se Deus quiser, pelos mesmos sentimentos. Antes, porém, é bom refletir sobre mais esse episódio. Infelizmente, as oportunidades em que se comprova essa dura verdade são mais numerosas que aquelas em que ocorre o contrário. Eis ai um contraste perigoso.
Direito ao esquecimento

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