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Coluna Momento Litero Cultural - Por Selmo Vasconcellos

Por Selmo Vasconcellos

Por Selmo Vasconcellos

09 de Setembro de 2020 às 18:37

Atualizada em : 09 de Setembro de 2020 às 18:40

Foto: Divulgação

 

Márcia Beatriz Magalhães Rochido Arruda

Mineira, natural de Belo Horizonte/MG, nascida em Maio. Residiu em Porto Velho entre 1996/97. Psicóloga, Advogada, Poetisa e Gerontóloga. Casada, mãe de três filhas e premiada com um neto e uma neta. Ama e acredita que a vida tem perfume e cores vibrantes.

 

Fuga e Infinitude

 

Vida!

Querer!

Desejo, procurasozinhez...

 

Em outra vida serei estrela,

morarei no céu,

incansavelmente quieta, observando...

 

Nessa minha vida de estrela,

Permanecerei no céu,

Incansavelmente quieta, observando o mar...

 

E perceberei que tu, em tua outra vida,

Te tornaste um grão de areia,

Salgado pelos beijos das ondas.

 

E passarão anos e mais anos,

Nós, tidos como estrela e grão,

Eu, a brilhar no céu,

Tu, a luzires no mar.

Então desejaremos ser, novamente

Homem e mulher,

Para o grande encontro que há no final!

Márcia Beatriz Rochido

Psicóloga Fev / 1993

***** 

Feitio!

 

Rodado,

Esvoaçante,

Discreto,

Enviesado, amassado!

 

Rasgado,

Colorido,

Sem cor,

Sem corte, fio duplo!

 

Seu feitio de vida,

É único!

Márcia Beatriz Rochido

Fev/1997

**** 

Síndrome de Peter Pan

 

Pete Pan é uma figura infantil e imaginária. No mundo dele, do faz-de-conta, tudo é possível; ser criança dura uma eternidade e ele mesmo é imortal!

Sabemos que a grande descoberta da fonte da juventude está relacionada a reservar na alma, no espírito, um espaço para sermos crianças.

E assim, ter um troféu: Alma de criança!

Ter o espírito de criança não significa fugir de ser adulto.

O homem, ao nascer, já lhe são impostas normas e padrões culturais que, quando bem seguidos, deveriam resultar num indivíduo inserido e bem aceito na sociedade.

Mas não é bem assim...

Não podemos afirmar que um indivíduo, já adulto, atingiu sua capacidade ou satisfação plena ou ainda, interna, pois certas atitudes que o levariam a se realizar são barradas por ele próprio, seguindo sua cultura ou aculturação.

Assim sendo, ele tem medo, medo da infinitude do mundo e de sua própria finitude perante este mundo. Medo de crescer e ter que se “auto-encarar”, é mais fácil dizer não, fugir, do que se encorajar e conhecer o mundo – é a chamada Síndrome de Peter Pan, pois ao se recusar a crescer, recusa-se também ao enfrentamento do dia seguinte!

Alguns adultos não tem qualquer defesa contra a percepção do mundo exterior, são seres submissos as experiências e ao acontecer. Estes são os sociais comprometidos pelas circunstâncias da vida e da saúde...não são estes que foco!

Por fatores diversos, algumas pessoas optam por permanecerem infantis, não dão conta de crescerem, principalmente espiritualmente, crescem apenas fisicamente. Eles se apoiam em outra pessoa para viverem, nem sempre são parasitas, porém não conseguem ser responsáveis por seus passos, erros e acertos.

Muitas vezes são pessoas que se adaptaram bem socialmente, mas dentro de um limite. Se adequam a este limite e não visualizam superá-lo, ou ainda, não dão conta!

A diferença entre o adulto portador de Alma de criança e o que se comporta como criança é que, o primeiro tem luz própria, está iluminado por dentro, na alma, enquanto o segundo necessita de alguém para iluminá-lo, amparando-o.

Márcia Beatriz Rochido

Psicóloga set/2020

***** 

Psicologia e Alma.

 

Etimologicamente, a palavra Psicologia vem de: Psyche = alma e logia=ciência, logo, psicologia seria a ciência da alma!!!

Será que podemos pensar que cabe ao médico cuidar do corpo e a psicologia da alma??? Será possível separarmos a alma do corpo???

Também é chamado de alma, um pequeno pedaço de madeira que colocado no interior dos instrumentos musicais de corda, por exemplo o violino, serve para a propagação do som e a vibração por todo o instrumento, até nossos ouvidos.

Alma em psicologia tem função semelhante, nós a chamamos de consciência, caráter, sentimento, humanidade. Nossa consciência faz a afinação entre nosso Eu e o ambiente que nos rodeia.

A psicologia, através da terapia, trabalha o consciente, o subconsciente e o inconsciente. São respectivamente, o primeiro, o segundo e o terceiro endereços da nossa mente!

O consciente é o aqui e agora, nosso momento presente com pequeno prolongamento de tempo.

O subconsciente é tudo que já esteve presente em nosso espírito e vida, confunde-se com a memória. Um perfume, uma música ou ainda uma comida ativa nosso subconsciente, fazendo-nos reviver certos momentos prazerosos ou não, daí a confusão em relação a memória. Há também a nossa grafia que faz parte do subconsciente.

O inconsciente é a camada mais profunda, não pode ser ativado simplesmente pelo pensamento, não está na memória singelamente. Certos acontecimentos que passaram por nossa vida e marcaram nosso espírito, que nos trouxeram sofrimentos, dor ou forte angústia, foram jogados, por nós mesmos, para nosso inconsciente. Este ato desesperado de nos auto proteger contra o sofrimento faz com que, inconscientemente, criemos nossos recalques. Nascem assim os traumas. Estes são formados mais fortemente em nossa primeira infância, como a presença do desamor, insegurança, etc..., ou seja, tudo que é capaz de alterar nossa estrutura psíquica. Estes traumas vão surgir em nossa vida adulta sob forma de medo ansiedade, agressividade, fobias, sentimentos de inferioridade e diversas outras dificuldades, inclusive com o nosso próprio corpo como surgimento de vitiligo e outras doenças psicossomáticas.

Os traumas são semelhantes a nuvens escuras demais, que com a ajuda da psicologia, teremos de entrar em cada um deles para então desmascarar e desmanchá-los, e assim, vencendo-os.

Por fim, podemos dizer que a nossa alma dirige a nossa vida!

Márcia Beatriz Rochido

Psicóloga / Out/1996

***** 

Sexualidade e envelhecimento

 

Durante muito tempo acreditou-se que os idosos, os velhos, não tinham sexualidade. Era como se a sexualidade fosse propriedade dos jovens indo até a idade adulta apenas! Com princípio, meio e fim antes dos 60 anos.

Mas, a sexualidade não tem hora para terminar! Afinal, o que é sexualidade?

A sexualidade é uma forma de expressão pessoal que existe em todos os seres humanos. Ela não pode ser confundida com o ato sexual nem com o estímulo sexual, estes são elementos que fazem parte da nossa sexualidade. Ela é muito mais ampla. Representa um conjunto.

Neste conjunto existe a parte biológica e a parte psicossocial, separo apenas para melhor entendimento, pois somos indivíduos, então somos indivisíveis...

Na parte biológica está nosso corpo e suas reações biológicas que ocorrem com o passar do tempo, percebidas em nossa pele, corpo, cabelos, andar, visão, ....

Na parte psicossocial encontra-se nossas percepções sobre este processo de envelhecer, como as ideias de sermos menos amado, menos ouvido e atraente, necessitar de artifícios externos para ver-se bonita ou bonito, insegurança quanto a inteligência, desvalorização dos conhecimentos e capacidades. Poderia descrever infinitas percepções...

A sexualidade representa aquilo que somos, mulheres e homens, nossos sonhos, fantasias, desejos, o que esperamos de nós e o modo como percebemos o mundo. Sexualidade também é a busca pela união, pela realização de amar e sentir-se amado. O caminhar do tempo, uma vida mais longa, o envelhecer não significam o fim!

É importante lembrar que a idade avançada não tira o prazer que a vida proporciona, o idoso continua sendo homem e a idosa continua sendo mulher, completos! Cito, como exemplo apenas, que, para muitos homens o ato sexual tem o valor do poder, da mesma maneira que o trabalho, assim, quando ocorre a aposentadoria, ocorre o fim do poder e valor, dos interesses. Já algumas mulheres, quando chega a menopausa, entendem que não atraem mais ninguém, não tem necessidade de afeições de parceiros pois não despertam mais emoções. Não necessitam nem de um perfume, um brinco, um batom...

Nestes dois exemplos podemos perguntar: Como foram os relacionamentos afetivos, emocionais, olhares, entendimentos, interesse pela pessoa que te encantava? O que foi feito para ter um prazer que não apenas o sexual? Como a convivência lapidou positivamente os casais, as pessoas? O que foi planejado para após o tempo que os filhos crescessem e a vida voltasse a ser a dois?

A sexualidade pode ser vivida de uma maneira mais plena quando entendemos que carinho, atenção, se perfumar para si e para o outro, cuidar dos cabelos e da barba, vestir uma roupa bonita, falar palavras que não ferem, oferecer um

cafezinho quentinho, preparar um bolo, não querer ser o conhecedor de tudo, abrir mão de ser “o velho chato” e ranzinza, assistir um filme ou música que o parceiro gosta, afagos, enfim, são inúmeras maneiras de exercermos nossa sexualidade porque ela é um prazer! Ela torna a vida mais mansa e calorosa. Podendo ainda ser em conjunto com o sexo propriamente dito.

Neste caso uma convivência saudável será aquela onde a troca afetiva realmente ocorra e que propicie o exercício das capacidades individuais do idoso de se comunicar, de se auto motivar, de amar e se fazer amado! Isto faz com que ele se sinta vivo, participante, servindo como incentivo e manutenção pelo interesse por si próprio, pelo outro e pelo mundo.

A vivência da sexualidade reafirma o homem ou a mulher que existe em cada um de nós!

Márcia Beatriz Rochido

Psicóloga e Gerontóloga

 

Direito ao esquecimento

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