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MOMENTO LÍTERO CULTURAL

COLUNA

05 de Março de 2020 às 16:08

ENTREVISTA HISTÓRICA – 2016.

 

 

FRANCISCO MARTINS – Natal, RN.

Palestrante das obras do escritor José Mauro de Vasconcelos nas escolas públicas em Natal e municípios periféricos do Estado do Rio Grande do Norte.

 

BIOGRAFIA

Francisco Martins Alves Neto, casado. .
Natural da pequena cidade de Iracema-CE.
Filiação: Francisco Fernandes da Silva e Raimunda Martins Fernandes
Aos dois anos de idade seus pais migraram para o Rio Grande do Norte, onde viveram na Fazenda Santa Maria, interior de Ceará Mirim-RN.
Aos 9 anos foi morar na cidade de Ceará Mirim para dar continuidade aos estudos, onde viveu até os 15 anos.
Desde os 9 anos que aprendeu a ter gosto pela leitura.
Em 1981 veio morar em Natal.
Aos 17 anos teve seu primeiro emprego, na função de Assessor de Imprensa da Arquidiocese de Natal.
Ao longo de sua vida profissional também foi Corretor de Imóveis, Analista de Materiais, Analista de Produção, Livreiro, Professor.
É Secretário de Atas do Conselho Estadual de Cultural do Rio Grande do Norte.
Membro da Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do Rio Grande do Norte- SPVA , da União Brasileira de Escritores – UBE/RN, do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, da Academia Norte-Rio-Grandense de Literatura de Cordel e da Academia Cearamirinense de Letras e Artes - Pedro Simões Neto.


Desde outubro de 2008 desenvolve nas escolas públicas do Rio Grande do Norte o projeto “Momento do Livro”, com aulas lúdicas através dos personagens Mané Beradeiro e o Palhaço Leiturino.

Escreve cordéis, assinando os folhetos com o heterônimo de Mané Beradeiro, tendo mais de 40 folhetos publicados.

É estudante e pesquisador da vida e obra do escritor José Mauro de Vasconcelos

 

Como escritor tem o seguintes livros publicados:
1) Contos da Nossa Terra , 2004.
2) Degustando Poesia, 2007.
3) Crônicas Sensoriais, 2009.
4) Mané Beradeiro em Causos e Poesias, 2010.
5) Seis Faces de Encanto - obras reunidas, 2014
6) As Mulheres de Jesus - cordel-livro ( ( o primeiro livro cartonero do Rio Grande do Norte, editora Carolina Cartonera) 1ª edição - maio de 2015
7) Manuscrito do Amor - 30 anos daquele olhar - 1ª edição - agosto de 2015 ( editora Carolina Cartonera)
8) A Grande Pesquisa - em novembro 2016. Livro que trata sobre os membros da Academia Norte-rio-grandense de Letras, uma homenagem aos 80 anos da instituição

Criou a Editora Carolina Cartonera que produz livros com capas de material reciclado.

Participação em revistas e outros
1) "A Formiga solitária", conto publicado na antologia Evolução da EJA 2, Jane Mirtes e Hulydeusa Batista (orgs), SEMEC-Parnamirim, 2007.
2) "O Guardião da Biblioteca" - matéria do jornalista Mário Gérson, jornal Gazeta do Oeste, edição de 2 de fevereiro de 2014 - Mossoró - RN
3) A Primeira Academia de Letras Feminina do Estado - artigo publicado no Jornal de Hoje, edição 29 e 30 de março 2014 - página 2 - Natal-RN
4) Revista Barbante - Edição especial de aniversário - ano III, nº 5, 22 de maio de 2014, com as poesias Cronologia da Mulher e A Queda
5) A Primeira Academia de Letras Feminina do Estado - artigo publicado na Revista nº 40, edição julho a set de 2014, da Academia Norte-rio-grandense de Letras
6) Houve Plágio? - artigo publicado na Revista nº 43, edição abril a junho de 2015, da Academia Norte-rio-grandense de Letras.
7) Propostas de homenagens a José Mauro de Vasconcelos - artigo publicado na Revista nº 44, edição de Julho a Setembro de 2015, da Academia Norte-rio-grandense de Letras
8) Antologia Literária - SPVA/RN - Volume 7, org. Ozany Gomes. página 169, com a poesia: Meu Tempo. Ano 2015.
9) Coletânea Poética Sou da Terra Nordestina, org. Gélson Pessoa. página 10. Natal: Ler Mais, 2015.
10) Revista Kukukay - edição de julho/agosto 2016 - artigo: Cem anos depois o mal permanece - sobre contos de Monteiro Lobato. Disponível em:http://virtualcul.dominiotemporario.com/…/kukukaya_jul_ago_…
11) Francisco Fausto - ensaísta e memorialista - artigo publicado na Revista nº 48, edição julho a setembro 2016, da Academia Norte-rio-grandense de Letras.

Fortuna crítica
1) É verbete no livro Dicionário dos escritores norte-rio-grandenses: de Nísia Floresta à contemporaneidade - Conceição Flores, 2014.
2) Leiturino - um palhaço a serviço do incentivo à leitura nas escolas ( TORRES NETO, José Correia. Anotações sobre a Arte Circense no Rio Grande do Norte. Natal: Fundação José Augusto, 2014. P. 109 a 112.
3) Entrevista em Impressões Digitais - escritores potiguares contemporâneos - volume II, Thiago Gonzaga , páginas 293 a 298, Natal: CJA, 2014.

Méritos, Comendas, Certificados, Diplomas
Certificado de Reconhecimento Artístico da Escola Estadual Enéas Cavalcanti, Ceará Mirim, 12 agosto 2009
Diploma de Menção Honrosa pela participação na I Mostra Literária do RN realizada durante o Congresso Científico da Universidade Potiguar-UNP. Novembro 2010
Diploma de Honra ao Mérito Cultural da Sociedade dos Poetas Vivos e Afins-SPVA, em 25 de novembro de 2011.
Comenda Folclorista Deífilo Gurgel, Câmara dos Vereadores de Natal, em 30 de agosto 2013
Diploma de Sócio Efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, 11 de setembro 2015.
Patrono da Biblioteca Escolar Jornalista Rubens Lemos, em Emáus - Parnamirim - RN.
Comenda Deífilo Gurgel – Governo do Estado do RN e Fundação José Augusto – novembro 2016

 

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever?

FRANCISCO MARTINS – Além de escrever eu trago pão para casa sendo funcionário público e ativista cultural. Faço apresentações nas escolas com os meus personagens Palhaço Leiturino e Mané Beradeiro que complementam a renda familiar.

 

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário?
FRANCISCO MARTINS – O interesse literário foi surgindo naturalmente à medida que ia aumentando meu amor aos livros. Comecei a escrever e guardar em gavetas e depois mostrar aos amigos. Em 2004 tive a coragem de romper as barreiras as dificuldades e publicar meu primeiro livro, no gênero contos.

 

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados?
FRANCISCO MARTINS – Atualmente tenho oito: Contos da Nossa Terra; Degustando Poesia, Crônicas Sensoriais, Mané Beradeiro em Causos e Poesias, As Mulheres de Jesus, Seis Faces de Encanto, manuscrito do Amor e A Grande Pesquisa. Navego entre prosa e poesia.

 

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesias?
FRANCISCO MARTINS – Uma frase, uma imagem, uma conversa, um encontro com amigos, uma leitura, etc

 

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira?
FRANCISCO MARTINS – Admiro: José Mauro de Vasconcelos e tanto admiro que há dois anos venho realizando projeto nas escolas do RN sobre a obra e a vida do escritor. Machado de Assis, Cervantes, Zélia Gattai, Adélia Prado, Ignácio de Loyola Brandão, etc

 

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas?
FRANCISCO MARTINS – Escrevam e conheçam os poetas e suas obras. Façam da leitura sua ferramenta de formação. Não há melhor caminho do que aprender com quem já trilhou a jornada.

 

POESIAS

NUPCIAS SERTANEJA

 

Foi no morrer do dia que a festa terminou,
Houve fartura de tudo celebrando aquele amor.
Dois leitões foram assados,
Seis capotes bem torrados,
Arroz de leite cozinhado,
Feijão com queijo temperado.
Um tocador de sanfona,
Uma zabumba arretada,
Pandeiro bem sapecado,
Som de triângulo afinado.
Nada faltou na festança.
Serviram bebidas quentes,
Pinga que derruba gente,
Tinha mais que um tonel.
Ponche de melancia,
Licor de toda milagria,
Batida de limão com mel.
Era tudo alegria,
Mas precisava parar.
O noivo abria a boca,
Fingia sono chegar.
Foi só mais um pouquinho
Para a festa terminar.
Quando todos foram embora
Só ficou lá na tapera,
Um vaqueiro na espera,
Uma donzela em primavera.
A noite abraçou a casa,
O vento trouxe frescor.
Por entre as palhas unidas,
A lua também chegou,
Deixando pingos de luz
No celeiro do amor.
Foi tudo tão verdadeiro,
Tão puro e sertanejo.
Adonde tocou vaqueiro
Donzela se arrepiou,
E a noite foi pequenina
Na geografia do amor.
No quebrar da barra
O casal se apartou.
Gado chamou vaqueiro,
Donzela se levantou.
Naquele chão bendito,
Sob sol tão escaldante,
O par se separou
Pedindo na sua fé
Por outra noite de amor.

Mané Beradeiro – Natal –RN 8-11-2016

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DUAS ANCIÃS

 

Eu vi duas senhoras sentadas.
Duas anciãs, num banco da Praça Paz de Deus.
As duas tinham cabelos brancos, pareciam flocos de algodão.
As duas tinham rugas, que serpenteavam nas faces, tais quais rios que correm para a eternidade.
Eu vi duas senhoras sentadas.
Uma tinha a aparência que a vida já havia passado,
A outra trazia no rosto a esperança de que amanhã viveria mais e mais.

Francisco Martins
Parnamirim – RN, 05 de julho de 2007

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POEMA NA AREIA

 

Assim como a areia da praia anseia pela água do mar para banhá-la
Eu espero diuturnamente por ti, para que venhas, com tua força, vontade intensa, jogar-te sobre mim...
E neste abraço, tudo que de ti recebo, recompõe meu ser. Faz-me novo. Retira minhas cicatrizes.
Vens, não tardeis!

Francisco Martins, 16 outubro 2016

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VÃ PROMESSA

 

Todos os anos é sempre assim,
Desde que a conheci que sou testemunha.
Ela promete que não vai chorar
Com a chegada dos filhos
Seus lindos filhos!
Mas quem disse que ela suporta?
Derrama-se em lágrimas,
Molha o chão, cobre-o com estames,
De cor púrpura.
E o lindo tapete prenuncia a chegada dos jambos.

Francisco Martins
28 junho 2016

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PEDIDO

 

Moça, case com eu.
Garanto que à tardinha
Quando o sol se aquietar,
Quando a jandaíra no cortiço se deitar,
Eu, homem de gado, doutô neste sertão,
Cantarei um aboio pra acalmar seu coração.

Moça, eu garanto ter as orelhas acessas
Pra tudo que é gosto seu.
Quero acasalar meus sonhos com os desejos seus.
Vamos juntar os cacarecos.
Prometo, nunca que vai faltar sal trazido do surrão.
E toda minha sustança, este rancho, o juazeiro,
O terreiro infinito, as estrelas do gibão.
Tudo isso vai ser seu, minha flor deste sertão.

Moça, se você dizer que não.
Vou ficar espritado.
Viverei sempre cismado.
Fecharei meu coração.
Perto dele eu farei uma cerca de arame
plantarei uma saia de xique -xique
Pra ninguém se aproximar.
E, acredite moça, se por ela alguém passar,
Logo à frente vai se deparar com duas cercas:
Uma de pedra e outra de avelos, pois mais ninguém irei amar.

Moça, pelas chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo,
Case com eu!

Mané Beradeiro
Natal-RN, 4 de novembro de 2016

 

Direito ao esquecimento

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