DEUS, PATRIA, FAMILIA E POLITICOS OPORTUNISTAS!

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Dizem que o slogan é a alma do negócio, e o negócio da política brasileira sempre foi a reciclagem. O "Deus, Pátria e Família", que andava esquecido no fundo do baú das antiguidades ideológicas, voltou à vitrine com um verniz novo e a mesma pressa de sempre.
 
A frase tem pedigree. Veio do Salazarismo português, passou pelo Integralismo de Plínio Salgado e desembarcou no Planalto com alguns aditamentos de última hora. É um tripé que tenta sustentar uma mesa onde o jantar, convenhamos, anda meio escasso.
 
O problema de slogans imortais é que eles costumam sobreviver mal aos seus autores. Mussolini e Salazar, que berraram essas palavras até a rouquidão, acabaram no rodapé menos lisonjeiro da História. 
O primeiro terminou de ponta-cabeça em um posto de gasolina; o segundo, em um silêncio burocrático de quem cai de uma cadeira e não levanta mais. 
 
Ambos eram amigos de um sujeito austríaco cujo bigode e ideias dispensam apresentações, mas que provou uma tese definitiva: quando a política vira religião, o resultado costuma ser o apocalipse com trilha sonora de Wagner.
Olhando de perto, a expressão é um prodígio de marketing saudosista.
 
Deus, por exemplo. Na época de Salazar ou de Plínio, Deus falava latim, gostava de incenso e despachava exclusivamente com o Papa. Hoje, Ele parece ter adquirido um sotaque neopentecostal vindo de Miami, com direito a plano de metas e dízimo via Pix. Os católicos, que antes detinham o monopólio do divino, agora observam a concorrência crescer no mercado da fé com a perplexidade de quem vê uma multinacional de fast-food abrir uma filial iluminada bem na frente da matriz centenária.
 
A Família, então, nem se fala. Antigamente, a família era um bloco de granito. O divórcio era uma lenda urbana, algo que só acontecia em filmes de Hollywood ou com primos distantes e escandalosos que moravam no Rio de Janeiro. No Brasil, a separação só virou lei em 1977. Até lá, o Estado garantia a união eterna no papel, mesmo que, na sala de estar, o clima fosse de Guerra Fria e louça quebrada. Hoje, a agilidade é outra. Casar e separar tornou-se um processo tão eficiente que os cartórios já poderiam oferecer o "combo fidelidade": pague o matrimônio e ganhe 10% de desconto no divórcio preventivo.
 
E a Pátria? Ah, a Pátria. Para os romanos ou portugueses de outrora, patriotismo era sinônimo de expansão, canhões e mapas pintados com o sangue alheio. No Brasil, o nosso heroísmo militar seguiu uma dieta diferente. Nos últimos oitenta anos, a maior ameaça à vida dos nossos generais não foi o fogo inimigo, mas o colesterol e a política de gabinete. 
 
Nossa última grande aventura internacional foi há oito décadas, na Itália, onde nossas pracinhas foram justamente para enterrar o autoritarismo que o slogan da moda agora tenta desenterrar como se fosse uma relíquia sagrada.
 
Daniel Pereira. Advogado e ex-governador de Rondônia.
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