Narrativas próprias - Por Domingues Júnior

Por Domingues Júnior

Há uma linha editorial na vida. A história de quem somos é pautada pelo que cremos. E não basta a fé cega e tola. É preciso ter, além dos argumentos copiados, uma certeza de que foi aberto espaço para a tolerância, o respeito ao próximo, a bondade mútua, a fraternidade viva, o amor genuíno. Amadurecemos com o passar do tempo? Nem todos! Infelizmente uma ruína estrutural gigante parece ter desestruturado bases que um dia foram sólidas. Não falo da moral e dos costumes, falo do conceito humano de ao menos enxergar no outro e em sua existência a nossa existência.
 
Tornamo-nos sobreviventes de um planeta à deriva. Bastou um março a março para que rumos se perdessem e as pessoas fossem transformadas não mais em dados e números de mercado, mas em gráficos trágicos e mórbidos de uma fila fatal que parece não ter fim. É a mesma Terra de sempre, engolindo gente como nunca.
 
Ao longo da história, guardadas proporções, espaço e tempo, em épocas assim, surgiram líderes. Num ou noutro ponto das páginas amareladas sabemos que homens e mulheres apareceram em seus respectivos mapas e idiomas. Com ou sem armas – estamos falando de outros tempos – suas mãos, mente e corpo tornaram possível as vitórias, o livramento e até, em alguns casos, a redenção. Quase todos os  povos  tem narrativas similares. Na hora da crise assustadora e seu apagar de luzes, alguém com uma tocha ardente foi capaz de apontar o caminho a ser seguido. Mas, como já disse logo ali acima, estamos a falar de outros tempos.
 
Poderia interromper o tópico de hoje e “sextar” como pede o dia de sol e tarde aquecida na cidade onde moro. Um tentador convite, em tempos de paz e não de guerra, seria para uma gelada estupidamente pronta na calçada em frente. Mas não é o caso. Nem sei quando mais será. Possivelmente a bebida de hoje perderá sua validade até que possa ser degustada com essa dose de prazer.
 
Resta um olhar insistente ali para fora. Quase que amparado por uma prece sem voz. Como quem pede respostas, saídas, decisões que nos salvem, que nos redimam, que apontem para a terra a vista. Não a que sepulta, mas a que pode voltar a ser arada para o plantio dos frutos de um novo tempo. Apesar dos pesares...
Direito ao esquecimento

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